quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Médio

Quando eu tinha mais ou menos doze anos de idade, eu comecei a jogar vôlei. O que começou sendo apenas uma forma diferente e divertida de se fazer exercício físico, acabou virando coisa séria, pelo menos na  minha cabeça pré-adolescente. Já assim bem jovem, eu traçei planos para a minha vida profissional como jogador de vôlei. Algo que só ganhava força com o apoio de amigos e colegas, e com a insistência e certeza dos treinadores em me colocar como levantador, mesmo contra a minha vontade (eu queria mesmo era ser atacante).

Apesar da vontade ter diminuído um pouco no decorrer da minha adolescência, ela sempre ficou ali latente. Eu já não tinha tanta certeza assim sobre ser jogador, ainda mais agora no começo da faculdade. Entretanto, nada impedia uma tentativa de conciliar, pelo menos por um tempo, as duas profissões. E lá fui eu tentar uma vaga no time de vôlei da Universidade Católica de Goiás (hoje PUC)...e fracassar de forma vergonhosa. Eu não sabia na época, mas esse foi o primeiro sinal de que eu teria uma vida bem mediana. 

Eu sempre me considerei muito habilidoso em jogar vôlei. Eu me comparava com outros colegas e me achava bom. Quem me assistia confirmava esse fato, e até mesmo alguns treinadores me elogiavam. E fui crescendo com essa certeza...até o dia em que competi com mais uns vinte caras. Foi aí que eu percebi uma verdade universal: você pode até ser bom em alguma coisa, mas não é o único.

Daí (depois da frustração de não ter entrado no time), comecei a pensar em toda a minha vida até então e fui percebendo uma certa constante: eu nunca fui excepcional em nada. Na escola, nunca fui aluno nota 10. Não era mau aluno, claro, mas o máximo que conseguia era média para passar de ano (nem em redação eu me dava muito bem). Na faculdade, foi a mesma coisa. No trabalho, faço as coisas com responsabilidade e ética, mas nada que me faça destacar dos outros. Fisicamente, nada de muito diferente, também. Sei que não sou feio, mas também não sou lindo de morrer. Não sou baixinho, mas também não tenho aquela altura que faz impressionar. Não tenho olhos claros, barriga tanquinho ou qualquer coisa que cause inveja ou admiração. Intelectualmente, não sou obtuso. Mas, novamente, minhas opiniões não são aquelas que vão te fazer mudar de idéia.

Tudo, assim, bem mediano.

E se eu olhar bem para esse blog, e, mais especificamente, para o número de visitas, comentários e seguidores, eu só posso chegar a uma conclusão inevitável: a minha escrita também é mediana. E olha que eu nem estou mencionando os mais de nove blogs (fracassados) que eu já tive nessa minha vida virtual. Claro que isso seria motivo suficiente para desistir de mais um, mas eu não vou. 

Acredito que, finalmente, eu esteja aceitando o fato de ser mais um nessa multidão tão igual. E em blogs, mais um (muitos, no meu caso) nessa blogosfera. O fato é que escrever me acalma, me distrai e me ajuda a esvaziar a cabeça, muita das vezes, cheia de coisas. Se não é extraordinário...bom...é porque eu não sou. E que assim seja. 

Eu vou continuar por aqui escrevendo as minhas coisas medianas e dando minhas opiniões medianas . E, se alguém me elogia (nas poucas vezes que isso acontece), eu guardo com a maior gratidão. Eu não coleciono elogios como eu vejo em blogs por aí. Os meus são diamantes. Raros, mas valiosos.

Sabe, é toda essa coisa de ter vinte e poucos anos. É esquecer, completamente, essa vida que você imaginou que teria quando adolescente,e começar a viver a que é possível. Dizem que a vida começa aos trinta mesmo...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aprendendo a dizer adeus

Charlotte e Bob Harris passaram uma semana em Tóquio. Entre pessoas estranhas, lugares nada familiares, relacionamentos perdidos com família e respectivos cônjuges, conseguiram alcançar uma intimidade e ligação tão forte, que a grande maioria das pessoas jamais vão experimentar.

Mesmo assim, mesmo se sentindo tão a vontade, mesmo não temendo represálias e pré-julgamentos (algo que só é possível quando compartilhamos sentimentos, receios e ansiedades com pessoas que realmente nos entendem), Bob Harris não consegue dizer mais nada além de "devolva meu casaco" como despedida. Um abraço constrangedor, pose para fotos, um último olhar de relance, corrida de táxi em direção ao aeroporto. E seria o fim de uma história.

Seria, não fosse uma coincidência-destino. Bob vê Charlotte em uma das calçadas, pede ao taxista que pare o carro e corre em direção a ela. E, finalmente, se despede de forma decente. Um abraço de verdade, um beijo de verdade e palavras sinceras em um cochicho. Bob aprendeu a despedir.

E o que mais me chamou atenção, depois de ter reassistido Encontros e Desencontros pela incontável vez, foi a cara de alívio e satisfação de Bob ao entrar no taxi depois da despedida (ponto para Bill Murray, grande ator). E me peguei a pensar: quantas vezes deixamos de contar às pessoas como elas são importantes? Quantas oportunidades perdemos de declarar aquilo que sentimos, por qualquer razão que seja? Quando foi que o medo da rejeição tomou conta de todo o potencial para ser feliz? É tudo uma questão de sorte ou azar. Bob arriscou, e foi embora para casa mais feliz. E, mesmo que a velha rotina, o trabalho, a distância e a volta da racionalidade diminuam tudo que eles viveram nesse lugar diferente, sempre vai existir aquela certeza de que um sabe exatamente o que outro significa. Porque eles tiveram a audácia de dizer.

Quantas pessoas sabem o que você realmente sente por elas?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Amy Winehouse Pocket Show

Se eu fosse multi-milionário (ou pelo menos tivesse uma quantia em dinheiro bastante generosa na minha conta...veja bem, não sou tão exigente), eu iria contratar a Amy Winehouse pra fazer um pocket show aqui em casa. Podia ser até mesmo na sala. O quintal seria o melhor local, já que é mais espaçoso, e eu poderia chamar uns conhecidos que gostam do som da moça, e compartilhar esse momento único da minha vida de recém-cheio-da-grana.

Mas acho que o ideal mesmo seria esperar meu aniversário em Novembro. Daí eu fecharia meu restaurante favorito aqui em Goiânia para meia dúzia de convidados (avalie o tamanho do meu círculo social, queridos onze leitores), colocaria a Amy e seu guitarrista de preferência em um mini palco, e pediria a ela que cantasse a seguinte track list:

Pra começar, Take The Box porque simplesmente tem uns três meses que a música não sai da cabeça.




Continuando com o clima heart broken, Love Is a Losing Game:



Pra terminar com clima coração partido, Black to Black:




Depois, uma mais animada: You Know I'm No Good.




E terminando com chave de ouro, Valerie:




Isso porque cantores e cantoras que eu realmente gosto não precisam de mais nada do que voz e um violão. E, claro, muito talento.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jack Johnson - To The Sea

Volta e meia, isso sempre acontece. Você descobre aquela banda/cantor(a), se apaixona pelo som, espera pacientemente pelo novo trabalho e...toma na cara! Isso porque mudaram completamente todo o estilo e tudo o que te resta é se perguntar porque os seus ídolos musicais surtaram por completo. Né, Jack Johnson? NÉ?

Claro que eu entendo todo o argumento de que artistas seguem uma evolução natural com suas respectivas obras, e que o caminho que isso leva nem sempre é o que os fãs esperam (ou pior ainda: querem). Respeito o fato que eles queiram mudar, arriscar outras coisas, pôr idéias novas em prática. Mas...a grande verdade é que eu tenho toda uma história com Jack Johnson. Mais especificamente, um apego meio que emocional com o som de início de carreira do cara.

Foi mais ou menos assim: era quase final de 2003 (ou seria começo de 2004), eu andava pela parte de CD's da Saraiva MegaStore quando reparei que tinha um tal de Jack Jonhson pra ouvir naqueles terminais. Resolvi arriscar...e thank you, Lord! Fui ouvindo um pouquinho de cada música do album On and On e pensar: uau, é esse tipo de som que eu realmente gosto. Comprei o CD ali mesmo, e a partir daí redirecionei o meu gosto musical. Passei a ouvir coisas bem mais calmas, quase acústicas, e cada vez menos coisas que envolviam riffs de guitarras. Foi o começo do fim do rock'n roll pra mim.

Em outras palavras: encontrei Jesus. Praticamente. Um mês depois, emendei com o primeiro, Brushfire Fairytales pra ter mais do som do havaiano. Gostei mais da maturidade do segundo album, das letras mais sarcásticas e algumas até mais politizadas. Um ano depois, sai In Between Dreams e Jack estoura no país com o single Sitting, Waiting and Wishing. O terceiro CD foge um pouco da pegada lual do segundo, e começa a introduzir mais instrumentos (piano aqui, uma guitarra elétrica leve acolá). Em 2008, Johnson lança o Sleep Through the Static. Com sonoridade mais básica do que os anteriores, o cantor começa a colecionar críticas de que todos os CD's soam o mesmo. O que pra mim, não foi defeito algum. O que mais gosto nele é justamente essa previsibilidade. Sei que vou escutar algo que tenho certeza que vou gostar.

Mas, aparentemente, Jack Johnson levou a sério as críticas. E resolveu mudar, colocando logo uma guitarra levemente distorcida em You And Your Heart, que abre o último album, To The Sea. A mudança no som continua notável na No Good With Faces. E você percebe que Jonhson quer realmente ser versátil com When I Look Up, que é quase uma light-rock-trilha-sonora-para-filme-adolescente. Claro que, mesmo sendo esse tipo de cantor diferente, Jack Johnson continua com aquela carecterística que o torna notável: faz músicas irresistíveis, mesmo não sendo o que estamos acostumados. E ainda para descontentes cheios de mimis como eu, ainda tem The Upsetter; Red Wine, Mistakes, Mythology e Anything But The Truth com o Jack que amamos: voz, violão e um som dos mais gostosos de se ouvir.

*Em tempo: Jack Jonhson fez a trilha sonora do desenho George Curioso em um CD intitulado Sing-A-Longs and Lullabies for the Film Curious George, que tem músicas para crianças das mais geniais possíveis. Viciante.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gotan Project - La Revancha del Tango Live

Daí tinha esse cara francês, que conheceu um suíço, que fez amizade com um argentino. O trio recém formado tinha duas paixões em comum: eram DJ's e nutriam um amor incondicional pelo tango e toda a cultura argentina. Um dia, tiveram uma grande idéia. Resolveram misturar o ritmo inconfundível do tango com as batidas leves da música eletrônica. Disso, surgiu uma das coisas mais bacanas que meus calejados ouvidos entraram em contato nos últimos anos: Gotan Project.

Tive meu primeiro contato com o som multicultuaral dos rapazes em uma visita a um restaurante mexicano aqui em Goi(boi)ânia (sim, temos mais opções de lazer além de ouvir sertanejo). O DVD que eu vou falar daqui a pouco estava rolando nas televisões, e eu tive que simplesmente perguntar ao proprietário qual o nome daquilo. Na mesma madrugada, eu comecei a baixar a discografia loucamente, e foi paixão à primeira ouvida. E correspondia.

Mas, por mistérios insolúveis, eu me esqueci completamente que havia um DVD do Gotan Project, apesar de ter sido esse o meio pelo qual eu descobri o som. Fato que foi compensado há duas semanas. E uma coisa já adianto: além de ser uma experiência auditiva fantástica, o DVD vai além, complementando com um banquete visual de hipnotizar qualquer um.

"Como um show de DJ's pode ser tão bom?", suspeitariam alguns. Respondo: usando da supresa. Obviamente que um show com três DJ's não seria dos mais interessantes, então resolveram inovar. Cobriram a frente do palco com um telão transparente, e nele são projetados filmes e imagens históricas sobre o tango e Argentina. De forma gradual e lenta, o telão vai subindo e você vai vendo melhor aquilo que torna o Gotan Project único: a banda. Músicos talentosíssimos acompanham os DJ's em todas as apresentações. Por si só a banda já valeria o show (coisa que você pode conferir em um dos extras do DVD). Finalmente, o telão desaparece e a apresentação chega ao clímax. Instrumentos musicais se misturam aos eletrônicos, e o ritmo que resulta disso contagia qualquer um que está perto.

Não bastasse isso, existe um extra em que você pode conferir todos os bastidores da gravação do penúltimo CD do Gotan, e ter mais insights de como é o processo criativo. Ainda tem um alguns vídeos de bastidores da turnê ao redor do mundo. E, além disso, o DVD vem com um livretinho contando um pouco da história do projeto e os créditos do show (e vale mencionar que toda a embalagem é lindona?)

Música mais do que recomendada pra se ouvir e assistir em seu DVD.



segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lost - The End.

Acabou. Chegou ao fim uma das séries mais populares dos últimos anos, verdadeiro fenômeno internacional, responsável por quase uma histeria coletiva pelos inúmeros mistérios levantados, conexões entre os personagens, ficção-científica, religião e vários outros elementos igualmente estranhos.

Pessoalmente, terminou a minha série favorita de todos os tempos. Nunca outro programa de TV me fascinou e me intrigou tanto quanto Lost. Aliás, vai ser difiícil outro enredo de qualquer outra plataforma artística me fisgar como o da série criada por J.J. Abrams, Damon Lindelof e Carlton Cuse (esse dois últimos, as cabeças pensantes por trás de tudo). A ponto de contar os dias para o próximo episódio, a ter reações...errr...digamos hostis contra o aparelho de TV a cada season-finalle (ah, o da terceira temporada jamais sairá da minha cabeça), a acompanhar blogs e foruns de discussões na internet para entender melhor a história, e a comprar os DVD's originais e reassistir várias vezes só pra não perder os detalhes que passaram desapercebido na primeira assistida.

Mas, apesar disso tudo, e ao contrário da imensa maioria dos telespectadores, o que mais me chamou a atenção em Lost não foi tanto os mistérios ou o clima surreal. Mas, sim, os personagens ricos e complexos e as suas histórias anteriores à chegada na ilha. Lembro a primeira vez que assisti ao Piloto da série (aliás, uma das coisas mais bacanas já vista por essa pessoa que vos escreve), achei aquela coisa do monstro bizarra demais. Mas, daí começaram os flashbacks das personagens no voô e tudo ficou interessantde de fato. As coisas só foram melhorando nas outras temporadas, onde a história dos passageiros do voo 815 da Oceanic iam sendo mais detalhadas. E confesso que muita das vezes me peguei querendo saber, por exemplo, mais sobre como Locke ficou paraplegico do que o que eram os números ou o monstro de fumaça.

Por isso, não me incomodou tanto o final totalmente voltado aos personagens. Claro que fiquei frustrado por alguns mistérios sem elucidação, ou outros com apenas pequenos insights. Mas, o que mais me atraía em Lost não eram as respostas a tudo (principalmente, as racionais como tanta gente esbraveja por aí nos tratados anti-Lost que viraram moda depois do fim da série) e sim justamente o estado de desorientação e curiosidade em que os roteiristas me deixavam a cada grande acontecimento. E, claro, como tudo se encaixava com as personalidades e histórias das personagens. Lindelof, Cuse e toda a equipe de roteiristas foram mestres em encaixar na medida certa os mistérios e os dramas. Contou muito, além disso, o fato de sempre reinventarem a forma de contar toda a saga dos passageiros do Oceanic 815 na ilha, e manter o interesse nesses últimos seis anos. Interesse que, pra mim, sempre foi as pessoas que estavam naquela ilha. E como foi bonito perceber como todos mudaram e evoluíram até o último episódio. Sim, foi uma saga.

Me irrita ler por aí pessoas dizendo que assistiam Lost pelos mistérios. Pode ser. Mas, o que te segurou até o final foi Jack, Kate, Sawyer e cia. A ABC até que tentou criar uma outra série misteriosa, a tal de FlashForward, com personagens caricatos e rasos. Deu no que deu: cancelamento depois de uma temporada. Lost sobreviveu pelo drama e carisma dos personagens que acompanhamos por esse tempo todo.

E agora fica a pergunta no ar: quando é que outra série vai se tornar um fenômeno e mobilizar tantas pessoas e discussões tão apaixonadas quanto Lost conseguiu fazer? É esperar e torcer...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

As Horas (ou como estragar o seu carnaval)

Era carnaval de 2002. Sem nada de interessante a fazer em uma cidade que praticamente fica deserta nessa época do ano, resolvi ir ao cinema. Afinal, qual a melhor forma de aproveitar um feriado prolongado do que assistir a filmes em salas escuras? Argumento que seria válido se o filme em questão não fosse As Horas.

Elenco estrelar (Meryl Streep, Nicole Kidman, Ed Harris...), diretor respeitado, não-sei-quantas-mil indicações ao Oscar daquele ano. Expectativas nas alturas, e a intenção era das melhores possíveis. Achava que tudo o que eu precisava naquele carnaval meio-loser era um filme cult-inteligente para animar a folia. Ledo engano, meus caros nove leitores. Acho que foi a primeira (e olhando em retrospecto, a única) vez que saí emocionalmente e fisicamente esgotado de uma sala de cinema. Foi como se uma depressão em forma de vírus tivesse me atacado. A vontade era de nem me levantar daquela cadeira. Com esforço homérico, consegui. Mas, o caminho de volta para casa foi tortuoso. Tudo parecia, de repente, sem cor e vida. Eu ficava pensando na vida daquelas personagens, em como todos ficaram tão infelizes, e o que aconteceu para que tudo desse errado. Desnecessário dizer que As Horas me deixou um pouco traumatizado. Apesar de ter achado, sem sombra de dúvidas, um grande filme, achei melhor revê-lo apenas em caso de extrema necessidade.

Algo que só foi acontecer sete anos mais tarde. Engraçado notar como você percebe de outra forma o mesmo filme em épocas diferentes da sua vida. Vejo que o trauma e todo o drama de ter assistido As Horas em 2002 foi exagero de alguém facilmente impressionável. Só mais tarde, fui compreender melhor que a história de toda aquela gente que se tornou infeliz, aconteceu por tentativa e erro. Gente com todo o potencial do mundo para ser feliz, mas que no meio de tudo, por oportunidades perdidas e desperdiçadas, se perdeu. E o que restou, foi as horas. O tempo, infinito, em que eles têm que lidar com isso. E dessa vez, sem traumas e tristeza instantânea.

Lidei tão bem com a segunda assistida, que até comprei o livro que deu origem ao filme, um dos melhores que li na vida. Já disse antes aqui como eu admiro quem sabe escrever de forma objetiva, mas sem deixar a profundidade de lado. E Michael Cunninghan faz de forma espetacular. Além disso, o livro (como sempre) dá mais luz e entedimento em partes que ficaram dúbias no filme, como a relação entre Clarissa e Richard na juventude (o diálogo final entre os dois é de cortar o coração) e porque o último decide por acabar com sua vida. E partes que soam gratuitas ficam mais esclarecidas no livro, como o beijo lésbico entre Virginia Woolf e sua...errr...irmã.

Experiência livro-filme recomendada. Mas, cautela! Escolha algum feriado diferente. Nunca se sabe o que pode acontecer...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Médicos - A Tortura

Se eu fizesse um Top 5 de coisas que eu mais odeio fazer na vida, "ir ao médico" com certeza ficaria no pódio, quase colado com "ir ao banco", "dar banho no cachorro" ou "andar de ônibus". Mas, enquanto esses três últimos só causam transtornos quase mecânicos, o primeiro deixa sequelas duradouras e sua paciência cada vez menor. A diferença? Bom...você é obrigado a lidar com essas criaturas chamadas de médicos, mas que gostam de ser referidas como "doutores", espécie mais esnobe e prepotente a habitar o planeta Terra.

Antropólagos, psicólogos, sociólogos e psiquiatras ainda não tem a resposta que mais anseiam desde o nascimento de suas respectivas áreas de conhecimento: por que indivíduos aparentemente normais, quando se formam em Medicina, desenvolvem transtornos esquiziofrênicos-alucinóginos de personalidade, e acham que são semi-deuses acima do bem e do mal?

Duvida? Vamos lá, meu amigo e minha amiga. Situação 1. Renovação de carteira de motorista. Depois de toda a papelada xerocada mostrada ao atendente, e setecentas e noventa nove assinaturas mais tarde, é hora do exame médico. Entro no consultório improvisado, e sou recebido com um acolhedor "fecha a porta". Assim mesmo. Ríspido e sem "por favor". Claro, pedir favor não combina com pessoas tão inteligentes como médicos. Pra quê? Enfim...depois de tamanha simpatia, fui logo indo me sentar e começar a puxar papo com um costumeiro "tudo bem?". Absurdo na visão do doutor! Quem é que faz isso, não é mesmo? Rapidamente, já foi avisando: "Fica em pé mesmo! O primeiro exame é em pé!". Gente! Pra que conversar com pacientes, claro, essa raça imprestável que não faz mais nada além de aborrecer médicos?! Havia me esquecido de que em faculdades de medicina existe uma matéria mais importante do que anatomia: me refiro a Princípios do Atendimento Sofrível - Colocando o Paciente Em Seu Devido Lugar. O resto da consulta se desenrolou de forma parecida, e foi tudo tão constrangedor e absurdo, que não vou me alongar por aqui. Fato é que essa foi a primeira vez que tive que pagar sessenta reais pra ser tratado como lixo.

Situação número 2, minha amiga dona-de-casa. Consulta marcada com oftalmologista. Eu, essa pessoa ingênua, chego à clínica na hora marcada pelas secretárias. Um tolo. Não aprendo com erros passados e, aparentemente, nunca irei. Ainda vou ter que esperar um pouco. Situação corriqueira, logo penso. Mas, nada iria me preparar para o que viria a seguir. Me sento no sofá, e bem na frente uma TV de 799 polegadas (ou mais) sintonizada na Globo. Olho de um lado, de outro, e nada de revistas. E...meu mundo quase desaba...esqueci o Ipod. Abraço meu destino ali: vou ter que assistir a incrível programação vespertina da Globo. A tortura começa com metade de Matilda, incrível presente de Denny De Vito para a Humanidade. Um dos poucos filmes que me deu vontade de jogar o objeto mais próximo na TV. Uma hora se passou e sobrevivi...por pouco. A prova de fogo ainda viria logo a seguir, algo que não desejo nem para Hugo Chávez ou Kim Jong-II: um episódio inteiro de Malhação. Agonizei por quarenta minutos...ou seria mais? Perde-se a noçao do tempo quando você começa a delirar de tédio, ou quando o seu cérebro não é estimulado de forma normal. Quando eu pensava que o pior havia passado, e com a aparência morimbunda-zumbi, fui obrigado a assistir mais vinte mintos de Escrito nas Estrelas. Claro que com o meu recente estado vegetativo, não tive muito que assimilar. Tive sorte, porém, de ouvir meu nome, quase duas horas depois: finalmente, era chegado o momento.

Dessa vez, fui convidado a me sentar, e ainda fui questionado sobre o meu bem estar. Aparentemente, esse especimen de médico é mais gentil. O grande problema é que fiquei ali não mais do que cinco minutos, tempo nada proporcional ao que tive que esperar.

Acredito que na visão dos doutores não existe nada de muito importante e interessante na vida desses pobres mortais, os seus pacientes. Então, que esperem, e percam uma tarde inteira de suas vidas em salas de esperas com televisores ligados no que de pior existe. E, se existir situação mais irritante do que essa, me digam que eu mudo aí meu Top 5 em um instante.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Livro do Desassossego

A primeira vez que eu me deparei com o termo "desassossego" foi em um dos milhares de desabafos virutais que eu já fiz em minha vida. Depois de longos textos digitados na janelinha do MSN, quase teses de mestrado, veio o diagnóstico:

"Ah, André, você é um desassossegado. E não existe cura pra isso".

Fui pensando em novas formas de câncer e vírus letais. A moça, claro, como conhecedora da alma humana como só ela é, explicou logo em seguida. Desassossegados são aqueles que não se contentam com pouco e sempre estão em busca do melhor. Colocam a sua felicidade e sua qualidade vida em primeiro lugar. Procuram em si mesmos e em outras pessoas as melhores qualidades. Querem extrair da vida o que de fato importa. Buscam incessantemente por algo, e na grande maioria das vezes, não sabem muito bem o que é. Mas, são persistentes e esparançosos. Sabem que algum dia, tudo o que desejam irá acontecer.

Algum tempo depois, em uma dessas passeadas sem compromisso por livrarias, eu vejo um tal do Livro do Desassossego. Juro que não sabia da existência até então, e, mais grave ainda, que Fernando Pessoa era o autor. Sabe aqueles momentos meio mágicos em que o livro escolhe o leitor? Então, exatemente. Já aceitando a minha condição de portador dessa síndrome do desassossego há um certo tempo, percebi na hora que esse seria um dos grandes livros da minha vida. Li alguns trechos ali em pé mesmo, e não hesitei em comprar (mesmo não podendo, como sempre, obviamente).

Mas não espere do Livro do Desassossego um romance ou qualquer tipo de ficção. Na verdade, existe até um resquício de história criada, mas não é nem de longe o foco aqui. Fernando Pessoa usou um dos seus pseudônimos e criou um livro de pensamentos de um funcionário público chamado Bernardo Soares. O Livro é sua visão de mundo, inadequeções, inquietações, ansiedades e desejos. Descritos de forma fragmentada, como um diário da alma sem ordem cronológica.

Por isso mesmo, Livro do Desassossego fica em todos os cantos do meu quarto. Sempre que as coisas parecem um tanto sem sentido; as pessoas mesquinhas e desinteressantes; as tentativas sem resultado algum e a desesperança como a única a regir os acontecimentos, pego o livro, abro em qualquer página e leio algo que poderia muito bem ter sido escrito por mim. Dá um sensação de conforto saber que você não é o único a sentir todas essas coisas e que ser humano em um mundo cada vez mais automatizado não é falha de forma alguma.

Martha Medeiros deu a melhor definição sobre os desassossegados. Eis aqui:

Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constantemente, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.

Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.

Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.

Desassossegados não podem mais ver o telejornal porque choram, não podem sair mais às ruas porque tremem, não podem aceitar tanta gente crua habitando os topos das pirâmides e tanta gente cozida em filas, em madrugadas e no silêncio dos bueiros.

Desassossegados vestem-se de qualquer jeito, arrancam a pele dos dedos com os dentes, homens e mulheres soterrados, cavando sua abertura, tentando abrir uma janela emperrada, inventando uns desafios diferentes para sentir sua vida empurrada, desassossegados voltados pra frente.

Desassossegados têm insônia e são gentis, as verdades imutáveis os incomodam, riem quando bebem, não enjoam, mas ficam tontos com tanta idéia solta, com tamanha esquizofrenia, não se acomodam em rede, leito, lamentam a falta que faz uma paz inconsciente. Dessa raça somos todos, eu sou e só sossego quando me aceito.


E você? É mais um desassossegado?

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tik Tok x Rehab

Eu sei. Falando sobre uma cantora que tem um cifrão no nome artístico. Quase patético. Mas, não pude evitar. Sabe, eu estava assistindo o TVZ, no Multishow, e começou a passar o clipe da música Tik Tok. E, apesar de concordar completamente que a música é divertida (e certeza que anima qualquer festinha que se preze), eu nunca havia prestado muita atenção na...errr...vamos dizer assim...letra.

Basicamente, a moça acorda na banheira (oi?) porque chegou da BUATCHY (desculpa, mas não existe mais "boate" no meu vocabulário depois que eu me deparei com outra variação da palavra), e não tinha mais onde dormir. Não obstante, ela levanta, escova os dentes com whisky (durona a moça, fala sério!), manda a família as favas, sai sem um tostão do bolso pra cair na farra mais uma vez. Tudo, assim, bem forçado e milimetricamente fabricado para passar uma imagem de porra-louca-bêbada-niilista.

Daí fiquei pensando em outra música que fala basicamente sobre bebedeiras, baladas e derivados: Rehab, da Amy Winehouse. E, por mais bizarro que possa parecer, Ke$ha (que inferno de cifrão irritante! Já tentaram escrever o nome dessa mulher? Um porre!) me fez gostar ainda mais da Winehouse.

Repito aqui o meu discurso sobre a Amy: mesmo sendo uma música de bêbada, Rehab é, em primeiro lugar, uma música honesta. Nasceu de uma situação real entre a cantora e o médico que a atendeu. Ao contrário de (ah, de novo...) Ke$ha, Amy não precisa recorrer a situações inventadas e, muito menos ainda, chegar ao nível básico de sobrevivência e higiene pessoal (pode usar pasta de dente mesmo, Ke$ha...todo mundo vai te perdoar pelo deslize no estilo maloqueiro de ser). Mesmo para ser alcoólotra, existe um limite para o mau gosto. Autenticidade é o que mais falta na música pop de hoje, e para mim ficou ainda mais evidente nessa comparação.

E o mais engração de tudo é notar que enquanto Tik Tok, a música falsa sobre bebedeira, só glamouriza esse tipo de vida, Rehab, a música de verdade, faz justamente o contrário. Mesmo que Amy Winehouse desperte o pior dos comentários de seus destratores, não tem um que não confesse, no final, que seja um desperdício uma mulher jogar fora seu talento assim. Talento se sobrepondo ao marketing de videoclips. Quase um paradoxo.

Confira você mesmo:



segunda-feira, 19 de abril de 2010

As Melhores Coisas do Mundo


Me chapou por completo. Não consigo me lembrar da última vez em que eu saí de uma sala de cinema, assim, quase meio zonzo. Em que eu ficava com o filme na cabeça, mesmo muito tempo depois, pensando nas personagens, nas situações, em toda a trajetória. Como se tudo tivesse acontecido com alguém que você conheceu, um amigo, parente, você mesmo. São poucos os filmes que conseguem esse tipo de reação em mim. E, pela primeira vez, é um nacional. Mais orgulho de ser brasileiro pelo cinema do que futebol, praticamente.

A verdade é que eu simplesmente tenho uma queda muito grande (um abismo, quase) por textos que desconstroem esteriótipos. E todo esse processo em As Grandes Coisas foi feito com grande maestria e sensibilidade. Tendo isso em mente, não se deixe enganar pela introdução do filme: Mano e seus amigos, entre cigarros e bebidas, vão a um puteiro no centro de São Paulo. Enquanto os seus amigos aproveitam os vinte minutos a que pagaram, Mano prefere desconversar e disfarçar. Depois de uma confusão no estabelecimento, os garotos fogem pelas ruas, sem conter a dupla excitação de toda a situação.

Mas termina aí o retrato da adolescência como indivíduos apenas interessados em sexo, bebidas e confusão. Pelo menos para o Mano, toda a sua vida, depois disso, vai ter que ser refletida e, muito mais importante, ser adaptada pela dura realidade.

Ele aprende ainda muito cedo, por uma série de situações, que nem sempre a vida vai ser como imaginamos, e o que fazemos dela é o que importa. E, pra um adolescente, ainda imerso em tantas fantasias e expectativas, não tem coisa mais difícil. Ele aprende que se apaixonar por beleza não é a melhor das coisas a se fazer. Que amigos possuem características que nos decepcionam, e por isso mesmo, existem alguns que temos que deixar pra trás. E como consequência, aqueles verdadeiros amigos, que vão ficar ao seu lado em qualquer tipo de situação, são aqueles que menos esperamos. Amizade não se escolhe, acontece. Ele aprende que pessoas podem nos surpreender, e que ajuda vem de gente que jamais imaginaríamos. Oportunidades pra ser feliz existem por aí, mas é necessário enxergá-las. Reparar nas pessoas em volta, pois quando você menos espera, tem alguém especial do seu lado.

Se não fosse sufuciente, As Melhores Coisas do Mundo ainda entra para o seleto grupo de filmes nacionais que retratam o jovem brasileiro, essa parte da população até então negligenciada pela sétima arte brasileira. E mais ainda: é um dos poucos filmes que foge do estigma de sempre retratar a pobreza, bandidagem e minorias raciais, que tanto incomoda o público brasileiro. Isso tudo partindo do básico: histórias simples podem, sim, emocionar as pessoas, mesmo que contadas em Português.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Desejo e Reparação

Das cenas de filmes que te marcam para sempre: é a Segunda Guerra Mundial. Robbie Turner e dois companheiros chegam, finalmente, à costa francesa, depois de dias de uma longa caminhada, sem dormir, famintos, mentalmente e fisicamente esgotados. Tudo o que Robbie quer é embarcar no navio atracado na praia e voltar para casa. Mais especificamente, deseja rever Cecília e terminar aquilo que não conseguiram: a consumação do amor que sentiam um pelo outro.

Os rapazes chegam ao destino e começa o plano-sequência mais sensacional que eu já assisti em uma sala de cinema (coisa linda essas telonas do Cinemark). Por mais de cinco minutos, sem cortes, filmados de uma vez, em uma demonstração incrível de sincronia e muito ensaio, Robbie percebe todo o horror que uma guerra pode causar a toda uma geração. E é até engraçado pensar que essa única cena consegue aquilo que muitos filmes de guerra apenas sugerem: toda a desesperança, o desperdício, o sentimento de impotência e toda a falta de sentido que um conflito desse tipo pode trazer. Isso sem pernas, cabeças e outros membros explodindo na frente das câmeras.

Mas o filme é muito mais do que essa cena. Aliás, é um dos casos raros em que a adaptação para o cinema supera (ou equipara) o livro. Graças à direção segura do Joe Wright (que já nos deu a coisa maravilhosa que é a adaptação mais recente de Orgulho e Preconceito), o elenco mais do que afiado (pra mim, o James McAvoy é um dos melhores dessa nova geração de atores) e o roteiro fiel ao texto do romance. De fato, é um dos poucos filmes derivados de livros que você realmente observa pelas situações e, especialmente pela atuação do elenco, as características de todas as personagens. Sem precisar de narrações em off, ou artíficios desse tipo. Uma aula de adaptação.

Por isso, ler o livro após assistir ao filme é uma experiência mais do que válida. Você percebe como os dois se complementam. E o tema central da obra, a reparação, o tentar recomeçar a vida, o perdão, arrependimento...enfim, tudo isso ganha mais força. O texto do Ian McEwan pode não ser o mais fácil de ser lido (pelo menos se você só estiver acostumado a best-sellers), mas é do tipo de escrita que eu queria ter. McEwan é daqueles escritores que conseguem contar uma história complexa, com indas e vindas, mas ao mesmo tempo manter tudo com uma riqueza de detalhes, e ainda criar personagens psicologicamente ricos e verossímeis. Tudo o que eu queria ser.

Impossível não ficar indiferente a Bryone que, por uma série de situações mal interpretadas, muda o destino da sua irmã e do filho da empregada para sempre. E para melhorar ainda mais a experiência, tanto o filme quanto o livro apresentam desfechos diferentes para Bryone, mas que são coerentes dentro de sua respectiva obra. Eu prefiro a do filme. Se você ficou curioso, passe numa locadora mais próxima, depois em uma livraria, assista ao filme, leia o livro e tire as suas próprias conclusões.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Kings of Convenience - Declaration of Dependence

Sim, eles conseguiram mais uma vez! Os noroegueses do Kings of Convenience fizeram mais um álbum cheio de músicas calmas, com melodias suaves e vocais dos mais sutis. Declaration of Dependence tem tudo aquilo que fez a dupla famosa nos festivais pela Europa: base violão-voz aliado a letras sobre o cotidiano e relacionamentos. Saca aquele som que você ouve depois de um cheio de trabalho e stress? Aquele CD que você deve ouvir quando está preso em um engarrafamento? Ou o tipo de som que combina perfeitamente para uma cafeteria ou um lugar mais intimista. Então, Kings of Convenience.

O terceiro CD lembra mais a sonoridade apresentada no primeiro, Quiet Is The New Loud, com a diferença de que o mais recente trabalho da dupla tem um astral bem mais positivo (vide a capa...praia...oi?). Fato evidenciado pelos singles Mrs. Cold (tem como não se deixar contagiar pela música?) e Boat Behind (violino dando o tom alegre aqui). Claro que ainda tem as faixas um pouco mais...digamos assim...deprê, como a sensacional 24-25, que abre o CD (que entrou, de forma instantânea, para o hall de músicas preferidas de todos os tempos). Ainda de quebra, tem as Me In You e Renegades com os refrões dos mais bonitos e melódicos (sério, não sai da cabeça de tão bom que é) de muito tempo!

Alguns argumentam que o som dos Kings é quase o mesmo. Que as músicas praticamente não se diferenciam. Acho uma crítica válida (com a exceção, talvez, do segundo CD, Riot An Empty Street, em que eles diversificaram mais as coisas). Mas, eu também acho que tudo o que é bom deve ser repetido de forma balanceada. O clichê brazuca de que em time bom não se deve mexer vale aqui, também.

Uma amostra:



quarta-feira, 7 de abril de 2010

Blog +...o que?

Eu queria começar esse post com uma super frase de efeito, sarcástica e da mais cool possível, que iria chamar a atenção dos meus...errr...oito leitores (tenho mais um...foguetes estourando no céu), mas a verdade é que eu não consigo. Minto. Eu até consigo. Mas, a frequência é um tanto baixa. E, em todas as vezes, a execução foi quase um parto.

E essa é a grande verdade absoluta sobre o fracasso da minha longa vida de blogueiro (esse deve ser o meu sétimo blog...perdi a conta em algum deles...contar fracassos não é legal, certo?). Sabe, fico lendo esses blogs aí na sua direita, de gente que eu admiro e respeito, e fico pensando em duas coisas:

A primeira é que eu não consigo ser brilhante o tempo todo. Por mais que eles digam o contrário, a verdade é que você sabe que esse pessoal todo é muito bom, sim, e tudo que eles escrevem é sempre da melhor qualidade. Os posts são esperados, discutidos, repercutidos e, o meu sonho, comentados a exaustão. Posso ter momentos inspirados, mas eles são quase abortos, entende? Como o cinema nacional: filme brasileiro bom, mas bom mesmo, são poucos. O resto é até certinho, redondinho, mas não ultrapassa isso. Então, comparando o que eu escrevo com o que existe nesses outros grandes blogs, é exatamente a sensação que eu tenho. Meus posts podem ser até certinhos, bem feitos e tal, mas não são nada de extraordinário.

O efeito colateral disso não é bom. Volta e meia, me sinto meio frustrado, achando toda essa vida virtual uma grande perda de tempo. Vontade de jogar tudo...quer dizer...deletar tudo pro alto e ir vivendo normalmente. Melhor mesmo me contentar com a minha vida comum, de mais um na multidão, e concentrar minhas energias em coisas que todo mundo quer: ganhar dinheiro e perpetuar a espécie. A beleza de ser sem graça e estar de bem com isso.

Mas...quem se importa com crises de blogueiro, claro? Voltemos ao tema do post: a segunda coisa que eu fico pensando, ao ler esses blogs, é como existe gente talentosa por aí. E sem o reconhecimento devido. Fico pensando que o sucesso, muita das vezes, é muito mais aproveitar oportunidades, com uma pitada de sorte e um pouco de perseverança do que qualquer outra coisa.

E se, de vez em quando, eu recebo um elogio aqui, outro acolá, e tendo essa fórmula na cabeça, me contento com a minha mediocridade momentânea e espanto a reacaída. Escrevo uma frase comum no começo do post, nem espero por comentários e continuo essa jornada virtual rumo a algum lugar.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Traumas de Futebol

Momentos que definem sua vida: é uma partida de futebol sem compromisso entre amigos e conhecidos. Você, como todo garoto de onze anos, classe média, obviamente se interessa pelo esporte e arrisca umas jogadas, de vez em quando. No calor da disputa entre os dois times de pré-adolescentes, te passam a bola, e num momento mágico que nunca mais acontecerá, você dribla o goleiro e se vê cara-a-cara com o gol vazio. É agora, o primeiro momento de glória da sua vida, que será seguido de muitos outros, você tem certeza. É tudo fácil nessa vida, você pensa. Mesmo jovem, você percebe que tudo o que você precisa é de um pouco de sorte e sempre estar alerta. O resto é fácil. Tão fácil, que você chuta a bola...e ela vai pra fora. Gol perdido, indignação dos seus companheiros de time. E é hora de mudar.

Foi depois desse episódio....errr...digamos quase traumático...é que fui me atinar que talvez futebol não fosse tanto a minha praia. Decidi que eu iria tentar outras coisas. E foi no volêi que me achei. Quase uma saída do armário, minha gente. Fiquei tão feliz nesse novo esporte que até parei de me enganar achando que eu realmente tivesse algum interesse em torcer pro São Paulo. E bola pra frente.

Claro que o "não gostar de futebol" ainda gera situações um tanto constrangedoras. Estranhos tentando puxar assunto comentando o resultado do último clássico da rodada, e a sua resposta sendo uma cara de paisagem. O que você vai dizer? Que, sim, existem pessoas que podem não gostar de futebol, por mais que soe estranho? Começar o discurso que poderia ser ainda pior? Que além de futebol, você poderia não gostar de filmes, por exemplo? Ou, imagina!, dos Beattles?
Sim, pessoas podem ter preferências um tanto exóticas, mas ao que me parece, tolerância é algo meio difícil encontrar.

Eu perdi a conta de quantas vezes eu ouvi de estrangeiros, na minha passagem pela Nova Zelândia, que eu não poderia ser brasileiro. Pois, claro, eu obrigatoriamente tinha que ser fanático por futebol, e saber fazer embaixadinhas com muita destreza. Da mesma forma que todos os colombianos ali eram filhos de traficantes, que os alemães só gostavam de salsicha, que os árabes tinham bombas escondidas nas homestays e que os asiáticos tinham pinto pequeno. Pensa se eu ainda tivesse falado que eu não sabia sambar?

Claro que minha birra com futebol, com o passar do tempo, foi se desviando da pura falta de habilidade para algo mais complexo. Não me entra na cabeça, por exemplo, o fato de pessoas se matarem em estádios de futebol (e fora deles, também) pelo simples fato de serem de torcidas adversárias (que quase empata com por quê o poder público não acaba com essas torcidas organizadas). Me revolta o fato de que todos os envolvidos com futebol sairem lucrando, menos o pobre do torcedor (que dá dinheiro pro time do coração? what the fuck?!). Me revolta mais ainda futebol ser assunto levado mais a sério do que coisas urgentes. Só pra se ter uma idéia, Goiânia se candidatou a ser uma das sub-sedes da Copa do Mundo. Para tal, criou-se todo um projeto de melhoria do transporte público e do trânsito da cidade...que NÃO será implatado porque a cidade perdeu. Pra ser palco de jogo de futebol, tudo bem, mas porque é necessidade da população, que se foda, claro. Finalmente, me entristece ver campeões olímpicos, como César Cielo, mendigando patrocínio em programas de TV, e saber que futebol, com seus jogadores milionários, nunca ter trazido uma medalha para o Brasil.

Me pego pensando, às vezes, que minha vida poderia ter sido diferente se eu tivesse marcado aquele gol. Eu poderia ter continuado gostando de futebol. Eu poderia estar vestindo a camisa do São Paulo agora e ter a bandeira pendurada na parede do meu quarto. Eu poderia ter tido mais amigos e conhecidos. E até mesmo tido uma vida menos sedentária. Mas, o fato é que se isso tudo tivesse acontecido, eu poderia não gostar de nada do que eu gosto hoje. Sem filmes, música boa, escrever...engraçado pensar como marcar um gol pode mudar uma vida inteira.


domingo, 28 de março de 2010

Música do outro lado do mundo


Uma das coisas mais legais de se passar um tempo do outro lado do mundo é ter contato com coisas das mais bacanas que, do contrário, você nunca iria descobrir. Mesmo em um país minúsculo como a Nova Zelândia, com pouco mais de quatro milhões de habitantes, onde a indústria cultural não é das mais movimentadas, você sempre volta com algo a mais na bagagem além das lembrancinhas para amigos e parentes.

No meu caso, duas coisas ficaram na minha memória (e ouvidos). A primeira é como os neozelandeses têm bom gosto musical. Não tinha uma loja que eu entrava que não tinha uma música legal tocando. O mesmo para os pubs e Cafés. Eram os sucessos do momento e muita coisa antiga. E eu nunca vou esquecer da cena dos pedreiros que trabalhavam ao lado da pensão que eu morava ouvindo Guns'n Roses. Isso mesmo, pedreiros trabalhando ao som de Sweet Child O'Mine. Sentiu a diferença?

A segunda coisa que ficou mais no ouvido do que especificamente na memória é a neozelandesa Ladyhawke. Daqueles exemplos típicos de cantoras que sabem fazer música basicamente pop, mas com relevância. Especialmente se você pegar as músicas de trabalho como Magic e My Delirium. Sabe a outra Lady, a Gaga? Então, a Hawke é uma Lady com mais conteúdo, digamos assim (e sem o fetiche bizarro de roupas espalhafatosas, claro).

Agora, o resto do albúm a difere completamente. Músicas como Better Than Sunday, Love Don't Live Here e Dusk Till Dawn tem aquela inconfundível batida eletro pop que fez sucesso nos anos 80. Por isso mesmo são deliciosamente viciantes. Já as Paris is Burning e Manipulating Woman têm letras divertidas e sarcásticas. Tudo feito bem ao estilo da Nova Zelândia: descompromissado, mas com qualidade.

Uma amostra:


segunda-feira, 22 de março de 2010

Felicity - Freshman Year


Ela tinha a vida toda planejada pela frente. Iria para a mesma Universidade que o pai estudou, depois iria cursar Medicina e ter a profissão que ela e seus pais tanto desejevam. Mas, em plena cerimônia de formatura, as coisas mudam completamente. Felicity vê o rapaz que sempre foi apaixonada no gramado e pede que ele escreva algo no seu yearbook. Ele demora um tanto mais do que o normal. Felicity finalmente lê o que Ben escreve e, para sua total supresa, percebe que não era completamente invsível a ele como havia imaginado. Em um súbito de coragem, Felicity pergunta a Ben em qual cidade iria estudar. "New York", ele responde. É o suficiente para que Felicity resolva mudar todos seus planos e ir para a mesma cidade que o rapaz, apesar de todos os protestos de seu pai.

Esses são os oito minutos iniciais do episódio piloto de Felicity, uma das minhas séries preferidas de todos os tempos. Criada por J.J Abrams (que anos mais tarde se tornaria o midas do entretenimento, com o lançamento de Lost e a direção e recriação de Star Trek) junto com o seu parceiro de criação Matt Reeves (que depois dirigiria aquela coisa bacana do Cloverfield), o seriado teve relativo sucesso em 1998 e rendeu até um Globo de Ouro de melhor atriz para a protagonista, Keri Russel. Mas, as outras temporadas não tiveram o mesmo êxito, e a série acabou sendo cancelada na sua quarta temporada, o que cobria o período de faculdade da Felicity (por isso, os DVD's são divididos em freshman, sophomore, junior e senior).

O que eu mais gostava na história era justamente os momentos como o do início dessa temporada: atitudes que tomamos e que nem sempre dão muito certo. Isso porque Felicity é um seriado de personagens dos mais humanos e verossímeis que eu já assisti, em especial a protagonista. Impossível não se identificar com todo o sofrimento com a adaptação de Felicity a toda essa nova vida, a sua constante dúvida se essa foi ou não uma decisão válida, a sua decepção com o Ben real em detrimento ao que ela havia imaginado. Fora aquelas aitudes que temos e que não temos idéia do por quê (quando, por exemplo, Felicity resolve reescrever um trabalho de Ben, ou quando tem a sua primeira experiência sexual com um cara que mal conhece).

Personagens completamente seguros de si e totalmente conscientes do que fazem existem aos montes em seriados por aí. Mas, esse tipo de coisa não me atrai muito. Prefiro ver coisas na TV que poderiam muito bem ter acontecido com alguém que eu conheço. Sabe, gente com defeitos? E Felicity é exatamente assim.

Os diálogos são sempre simples, sinceros, mas não deixam de ser profundos (e só prova como J.J Abrams e seus colaboradores são roteiristas completos, que podem fazer de ficção-científica-maluca a seriado girly com a mesma qualidade). Além disso, a trilha sonora é sempre de bom gosto e a fotografia é simplesmente única.

Infelizmente, as caixas com os DVD's não foram lançadas no Brasil (e provavelmente nunca irão ser). Mesmo assim, mal posso esperar pra importar os próximos anos e ter a coleção completa.

Uma amostra do piloto:


terça-feira, 16 de março de 2010

Cat Power - Juke Box

Eu só queria escrever isso:"faça um favor a você mesmo e escute esse CD". Mas eu achei que eu deveria ser um tanto mais persuasivo com os meus...errr...sete leitores. Então, vamos lá:

Cat Power. Não reconhece o nome? Foi o que a cantora americana Chan Marshall usou como pseudônimo durante toda a sua carreira. Filha de pianista, ainda quase adolescente mudou-se para Nova Iorque para tentar a sorte com a música. Conseguiu um contrato em 1995, depois de abrir shows de outra americana. Liz Phair. Desse tempo pra cá, lançou oito albúns (sendo dois deles coletâneas de covers), se envolveu em uma série de problemas de saúde mental e física (já teve depressão profunda e alcoolismo) e até mesmo de aceitação (quase desiste de tudo para virar...babá!).

Pessoalmente, não gosto muito da Chan do começo de carreira. Aliás, demorou até que ela se tornasse uma das minhas cantoras favoritas. O fato é que Cat Power dos Dear Sir, Myra Lee, What Would the Community Think é indie demais para o meu gosto. É basicamente Chan, uma guitarra e sua voz inconfundivelmente rouca susurrando suas dores para o mundo. E só. Já o som do You Are Free é um pouco mais elaborado e menos restrito ao pessoal underground apreciador de músicas estranhas. Mas é The Greatest o grande divisor de águas na carreira da cantora. Com a adição de uma banda excepcional, e uma pegada mais para o soul, Cat Power cai nas graças da crítica e, pela primeira vez, do público. Depois disso, seguiu-se o básico de quem consegue um pouco de fama: fez ponta em um filme (My Blueberry Nights, em que Norah Jones é a protagonista) e músicas em trilhas sonoras (Juno fez toda menina chorar quase no final do filme, com a Sea of Love).

Entretanto, o que Chan Marshall faz de melhor mesmo é covers. De forma tal que quase supera as originais. Prova disso é o The Jukebox, album de regravações lançado em 2008. Vá direto para a segunda faixa e se supreenda com a New York da Chan. Irreconhecível e sensacional. Ramblin (Wo)Man é melhor, mas muito melhor do que Ramblin' Man, dos Allman Brothers. O conjunto voz-piano-bateria-guitarras-distorcidas fazem Metal Heart a melhor do CD. Aretha, Sing One For Me fica irresistível na versão Cat Power. E, de quebra, Chan declara todo o seu amor a Bob Dylan em Song to Bobby.

Obrigatório. Uma amostra da música que não sai da cabeça:


E eu nem vou comentar de supostos shows dela esse ano porque isso é doloroso demais pra pessoas que moram em cidades excluidas geograficamente.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Masculinidade ferida

Aconteceu da seguinte forma: eis que eu me dirigia a um clube localizado próximo a minha casa (leia-se: do lado) para pedir umas informações a cerca de exercícios físicos (em outras palavras, qualquer coisa que me fizesse sair dessa vida sedentária que se alastra por mais de seis meses) quando, de repente, uma moça me para e diz: "Oi, tudo bem?".

"Uau", pensei, "devo estar particularmente gatíssimo hoje, com essa calça de moleton e cabelos despenteados, para ser abordado, assim, por moçoilas total random na rua". Mãããããããss.....não! Ela não queria me convidar para um noite de sexo sel-va-gem, como eu estava imaginando. Pelo contrário, na verdade ela queria que eu ajudasse uma outra moça que, sabe-se Deus por quanto tempo, tentava de todas as formas possíveis trocar o pneu do carro.

Fiz toda a linguagem corporal macho-alfa possível: estufei o peito, levantei os ombros e coloquei a máscara mecânico-saca-tudo-de-carro-ok. Detalhe importantíssimo: nunca troquei um pneu na minha vida. Serião! Em quase seis anos dirigindo, jamais fui agraciado pela sorte do destino e pelas forças cósmicas-religiosas que regem o caos do trânsito de Boiânia com um pneu furado. Fazer o que? Eu não podia simplesmente negar a ajuda a não apenas uma, mas duas moças indefesas e ir embora.

Fui lá. O grande problema, ao que tudo indicava (olha o especialista), eram os parafusos. Eles simplesmente se recusavam a desenroscar da roda. Fiz de tudo. Empurrei com o troço lá que eu esqueci o nome (mentira, nem sei...veja o nível do profissional) pra todos os lados, com o pé, usei o peso do meu (finíssimo) corpo...e as porcarias não se moveram um centímetro. Estava quase usando a força da minha mente quando, do nada, aparece um outro cara pra ajudar as moças e, claro, o imprestável daquele cara que, obviamente, não estava conseguindo trocar um mísero pneu.

E o moço tomou conta da situação como um verdadeiro PHD em borracharia. Nunca vi tamanha destreza. Mas, a excepcional habilidade não parecia ser o suficiente para aqueles parafusos. Sentindo cada vez mais que a minha presença ali era um tanto quanto dispensável, avisei à moça que eu "só iria ali rapidinho pedir umas insformações, mas que já voltava". Isso porque posso ser inútil, mas tenho que manter a pose, óbvio.

Sentindo pena de mim mesmo, e sem interrupções, cheguei, finalmente, ao clube e fiquei lá um tempinho pedindo as informações que eu queria. Na volta, as moças ainda estavam lá junto com o doutor em mecânica e mais um outro cara! A roda defeituosa estava no chão e o rapaz misterioso estava terminando de colocar o último parafuso. Situação sob controle. Perguntei pra moça se ela precisava de alguma coisa (como eu sou prestativo, veja só) e fui-me embora com a sensação de dever masculino cumprido...not!

Enfim...conclusão de tudo isso: além de uma vergonha social, agora sou uma vergonha matrimonial. Eu estou fadado a ser o amante para o resto da minha vida. Eu não posso casar. Não sei trocar lâmpadas, não sei consertar o chuveiro, não sei pendurar quadros, não sei trocar pneus e nunca vou ter dinheiro.
Carreira eclesiástica, de repente, parece promissora.



quarta-feira, 3 de março de 2010

Um Olhar do Paraíso

Peter Jackson fez dois impossíveis (se é que tal expressão existe). O primeiro foi fazer quase o impensável: pegar a trilogia Senhor de Anéis e não apenas adaptar para o cinema, mas ainda assim transformar os filmes em marcos da indústria cinematográfica. Tarefa das mais difíceis. Se você já leu algum dos livros, sabe muito bem da complexidade do enredo e da riqueza dos detalhes. E, por incrível que pareça, apesar das mudanças, tudo está ali nos filmes de alguma forma.

Então, quando o diretor neozelandês anunciou que iria adaptar outro livro, The Lovely Bones, as expectativas de todos os mortais cinéfilos foram, obviamente, lá para as alturas (ainda mais pelo fato de que o enredo também flertava com a fantasia). Foi aí que Peter Jackson fez o segundo impossível: fez um filme bem mais ou menos.

Tendo como protagonista uma garota estuprada e assassinada, que narra diretamente do Paraíso como a sua família e amigos lidam com sua morte, o filme é carregado naquilo que o livro justamente quase não tem: fantasia. E o que mais falta ao longa de Jackson é justamente o que faz o livro da americana Alice Sebold ser incrível: uma dramaticidade das mais sinceras.


Juro por Deus, quando eu estava lendo o livro, em algumas partes eu tinha que dar uma parada porque as coisas estavam ficando tristes demais. Sebold descreve os personagens e as situações de forma tão verossímel, sem apelar ao melodrama, que é impossível não se envolver com os relatos do além de Susie Salmon.

Enquanto que no filme é tudo muito mal aproveitado. Personagens não se desenvolvem direito, subtramas se amontoam e a sensação é a de que o filme não tem um propósito definido. O grande problema foi o Céu do Jackson. Obviamente que uma cabeça imaginativa e inquieta como a do diretor não iria se satisfazer com o Céu simples descrito no livro. Mas, era dessa simplicidade que vinha toda a força dramática. Susie Salmon do livro via a sua família e amigos crescendo, vivendo as suas vidas, se apaixonando, mudando, etc. de cima de um Paraíso solitário e sem graça (era um high school americano sem ninguém, além da amiga). Você sentia a inquietação dela por não aceitar a morte e, mais por importante, porque ela queria tanto voltar.

No filme, o Paraíso mais parece um exercício de imaginação de Peter Jackson. E o mais estranho de tudo: era afetado pelos os que os vivos vivam (dããã! Sou gênio com as palavras, fala sério). Mas, claro! As imagens são simplesmente maravilhosas e provam o talento do cara.

Entretanto, para uma experiência mais completa de The Lovely Bones eu mais do que recomendo o livro. E fico na torcida para que o próximo projeto menos ambicioso de Peter Jackson se aproxime mais de Almas Gêmeas do que qualquer outra coisa.
(Que?! Nunca ouviu falar de Almas Gêmeas? Faça um favor a seu futuro cinematográfico e assista nesse mesmo instante esse filme!)


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Como transformar um música ridícula.

Em primeiro lugar, tenha talento. Parece um tanto óbvio, mas ao menos para os engravatados das gravadoras que controlam o que as massas vão ouvir (ou não), talento é algo secundário. Peitões, bundas salientes e video clipes com poses sexuais substituem esse detalhe, na visão delirante-esquiziofrênica dos presidentes dos grandes selos.

Em segundo lugar, tenha bom gosto. Antes de se tornar profissional, só escute coisa boa. Aprenda a tocar o seu violão tentando imitar os seus ídolos. Como uma esponja, absorva o que de melhor eles têm a oferecer. Saiba compor como eles. Preste muita atenção no que eles foram fazendo durante suas respectivas carreiras.

Em terceiro lugar. por graça divina e genética, nasça com uma voz meio Cássia Eller com um quê de doçura marisamontiana. Para completar, tenha um visual um tanto androgeno só pra chamar um pouco mais de atenção.

Em quarto lugar, escolha uma música pop até a raiz, com um refrão que simplesmente gruda na cabeça de qualquer mortal acéfalo.

Em quinto lugar, seja Maria Gadú, mostre todo o seu talento e humilhe todo mundo fazendo uma versão completamente inacreditável de...pasmem!...Baba, da Kelly Key:



E disso fica a pergunta: existe mesmo música ruim, ou apenas interpretes ruins?

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Brilho Eterno


É a última vez que irão se ver. Na manhã seguinte, não vão se lembrar de mais nada. Vão se cruzar na rua como se fossem estranhos. Não vão ter nenhuma lembrança da história que viveram juntos. É como se nada tivesse acontecido.

Isso porque Clementine apagou Joel da sua memória, e ele, por vingança, resolveu fazer o mesmo. Mas se arrependeram no meio do caminho. Finalmente perceberam que são as memórias felizes, aquelas em menor quantidade mesmo (ênfase no "mesmo") que importam, mesmo que estejam em larga desvantagem quando comparadas com as ruins. São elas que nos definem. São por elas que acordamos todo dia e fazemos tudo. Em direção a elas que dirigimos.

Mas, não existe escapatória. Joel e Clementine tentaram, de todas as formas, fugir do esquecimento inevitável a que se colocaram. Nada funcionou. Tudo o que resta a eles, agora, é essa última memória.

Estão juntos na praia onde, ironia do destino, se viram pela primeira vez. Clementine, consciente de que esse será o último encontro, pergunta o que eles irão fazer. Joel simplesmente responde: "Nós aproveitamos".

É assim que filmes aparentemente sem importância se tornam o seus favoritos. Se você já passou por uma situação pelo menos minimamente parecida, ter um último momento com uma pessoa que você não irá ver mais, toda a cena ganha todo um significado diferente e pessoal.

É como se filmes fossem um espelho de uma realidade paralela. É se enxergar por atitudes de personagens que poderiam muito bem ser você ou alguém conhecido. E é, por essas e outras, que nenhum crítico de cinema vai te convencer de que esse ou aquele filme que você tanto gosta não passa de uma enganação, clichê, versão piorada de outro título, ou qualquer outra coisa insignificante dita por alguém que se separa, completamente e de forma esquiziofrência, de seus sentimentos ao assistir um filme.

A cena:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mark Ronson

Em meados de 2003, o nome Amy Winehouse já era relativamente conhecido na Inglaterra. Amy, e seu rosto até então sem o seu característico coque gigante, figurava em algumas aparições televisivas e posters espalhados pela cidade (como papai Winehouse diz, todo orgulhoso, nos extras do DVD Live in London). Frank, o primeiro CD da carreira da cantora londrina, atingiu vendagem considerável (quase um milhão de cópias no Reino Unido), com hits como Stronger Than Me e Take The Box.


Mas, foi apenas em 2007 que o nome Amy Winehouse tornou-se algo facilmente reconhecido em qualquer canto do planeta. Impulsionado (ou não) por escândalos, o segundo CD, Back to Black, vendeu mais de dez milhões de cópias; entrou para listas de melhores álbuns do ano (posteriormente, da década); Rehab foi uma das músicas mais executadas de 2007 e Amy virou estrela internacional. Um dos responsáveis pelo upgrade na carreira: Mark Ronson.

Encarregado da produção do segundo CD, Ronson resolveu explorar mais o lado soul das composições da Amy. Colocou mais batidas, adicionou mais som de metais e deu mais ênfase nos vocais. O resultado foi uma sonoridade meio nostálgica. Back to Black soa, às vezes, antigo em algumas canções, enquanto que moderno em outras.

Entretanto, muito mais do que ser o homem por trás de Amy Winehouse (sem piadas de duplo sentido aqui, por obséquio), Mark Ronson é músico de mão cheia. Prova disso é o album Version, que como o título diz, é recheado de versões de sucessos interpretados pelo o que de melhor a indústria muscial britânica pode oferecer.

A verdade é que Version tem tudo o que Back to Black tem de característico: as batidas pesadas e os metais gritando. Pensa em algo do tipo I Told I was Trouble, da Winehouse, que você tem noçao exata do que Ronson fez em Versions. O CD já começa com uma irreconhecível God Put A Smile Upon Your Face, do Coldplay. Segue com uma sólida Lily Allen em Oh My God (e olha que eu acho a Allen tão insossa...). Amy Winehouse, obviamente, não poderia faltar, com uma versão mais rápida de Valerie. Pra completar tudo, ainda tem uma versão inacreditavelmente viciante de Toxic, da Britney Spears, provando que música pop pode ser relevante, sim,dependendo de como se faz.

A faixa de campeã fica, entretanto, pra Just, do Radiohead. Impossível ficar parado:


Ótimo pra animar a sua festinha.




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Video Games: eis a questão

Vicissitudes dessa vida (em sua versão futil-nerd): há cerca de mais ou menos um mês de voltar pra casa, entre praias e cafés de Auckland, uma vontade nerd se apoderou de mim. Eu mal conseguia ver a hora de chegar e terminar Final Fantasy XII, começar Silent Hill 3 e jogar qualquer coisa que parasse em meus joysticks pretos do meu querido e velho Playstation 2.

Qual foi a minha surpresa notar, já em minha terra natal e com controles na mão, uma impaciência crescente com video games? Eu simplesmente não conseguia mais me concentrar nos jogos. Jogava, no máximo, uns quarenta minutos e logo depois arranjava outra atividade ociosa pra me ocupar. Meu mundo caiu...Mentira, nem tanto. Mas, me surpreendi e muito com essa nova atitude em relação a um hobby que eu pensava jamais largar. Eu ainda me lembro muito bem dos meus discursos com amigos de pré-adolescência sobre ter trinta e cinco anos e ainda jogar a nova versão de Mario Bros. ou equivalente.

Pensei, então: "Isso é o que deve ser crescer". Começar a enxergar outras coisas, ver graça e significado onde você nem tinha idéia que iria, e no meio de tudo isso, ir deixando outras pra trás. Resolvi, então, usar esse tempo não gasto com RPG's e survivor horrors escrevendo mais nos blogs, lendo mais livros, assistindo um pouco mais de séries, filmes...Entrei em processo de luto com os video games, dei um suspiro e deixei essa etapa da vida de lado.

Mas...daí uma Sexta-Feira à noite ociosa, um amigo te convida pra conhecer a nova aquisição da sala de estar dele. E eis que você se depara com um Xbox 360 com Resident Evil 5 rodando em High Definition em uma TV de LCD. TENSO! Depois, em um Sábadão ainda mais ocioso, uma amiga finalmente te apresenta as maravilhas do Wii, comprado há mais de seis meses atrás. E você se lembra como games podem ser divertidos e uma excelente forma de extravasar stress acumulado.

E agora? Fazer o que com toda a convicção pseudo-amadurecimento-sem-games-filosófica-sociológica-quântica? Joga no lixo e espera o novo Final Fantasy sair?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lounge Music

Uma das coisas mais estranhas quando você começa a crescer é notar como o seu gosto musical vai mundando junto com o seu corpo. Pelo menos pra mim, os centímetros adicionados ao meu (belo) corpo (mentira...) acompanharam, no mesmo ritmo, uma certa evolução em termos musicais. Sendo um pré-adolescente em meados da década de 1990 (certo, já pode começar a fazer as contas...), já passei pela minha fase Nevermind da vida. Me lembro, especificamente, de como os Samashing Pumpkins me deixaram impressionado com aqueles video clips do álbum The Mellon Collie and the Infinite Sadness, em uma época em que a MTV ainda engatinhava no Brasil. Sim, eu assisti o começo da MTV no Brasil...um idoso, praticamente! Depois disso, passei a ouvir mais essas bandas de rocks mainstream, e até mesmo algumas mais antigas, sempre com a influência de amigos iniciados.

Mas...daí vem a idade e um certo amadurecimento. Você começa a ficar mais independente e infinitamente mais seguro da pessoa que você é. E o mais importante de tudo: você começa a saber exatamente o que você quer e o que gosta. E, obviamente, isso reflete no seu gosto musical.

Resultado: de rock e coisinhas mais pesadas, passei a coisas bem mais leves. Hoje, muito agrada o meu ouvido músicas com pegadas mais para o jazz, soul, folk e um bom MPB. Entretanto, o mais estranho de tudo, foi começar a curtir (e muito) um estilo que eu jamais pensei existir, e menos ainda me viciar: lounge music.

Pra quem não tem idéia do que seja isso, Lounge Music é como se fosse um estilo de música eletrônica, mas com batidas bem leves. É comum, também, que se misturem outros ritmos ao eletrônico (qualquer um que seja, como se pode perceber logo abaixo...só continuar lendo) e tambem vocais. Foi por causa dessas características que veio o termo "música ambiente". É ideal para restaurantes, bares e cafeterias com um ambiente mais intimista. Eu gosto para momentos quando eu quero desestressar a cabeça quente, para concentrar e para trânsito congestionado.

Existem vários grupos e DJ's que fazem esse tipo de som. Um dos meus preferidos é o Thievery Corporation. A dupla de DJ's vinda de Washington D.C ficou mais conhecida por uma música na trilha do filme-cult Garden State. Fãs da bossa nova brasileira, os caras também sempre misturam o ritmo brasileiro com as batidas eletrônicas. Um dos melhores CD's é o Versions que, como o nome diz, trás uma coletânea de versões muito bacanas de várias músicas.



Outro que sou viciado é o Air. Essa dupla francesa se destaca por não abusar muito do eletrônico e priorizar mais intrumentos reais. É comum nas músicas pianos, baixos e também vocais. O Moon Safari é um dos melhores albuns do gênero. Ficaram famosos, também, por terem feito a trilha sonora de Virgens Suicidas, da Sofia Coppola. É bem mais sofisticado do que o resto, talvez pela formação musical dos caras.
Um exemplo:


Outro totalmente fantástico e único é o Gotan Project. O trio (mais uma vez) francês, apaixonado por tango, resolveu misturar o ritmo argentino com batidas eletrônicas. O resultado inusitado da mistura é algo incrívelmente empolgante:



Mais do que recomendados!




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Zooey Deschanel


Geralmente, a categoria de "cantrizes" muito me aborrece. Não consigo conceber de forma apropriada a idéia de que uma mesma pessoa possa ser igualmente boa em duas coisas. Você, minha amiga, não pode ser uma excelente atriz, e de quebra, uma cantora excepcional. A qualidade de uma não vai ser proporcional a outra, muito provavelmente. Colocando de forma bem simplista, é como se um bom advogado resolvesse ser, também, de um dia para outro, contador. Não que talento artístico se crie dessa forma, mas a idéia é mais ou menos a mesma.

Existem vários exemplos de cantoras que resolveram se aventurar na dramaturgia, e que o resultado beirou algo de, no mínimo, estranho. De mais fresco na minha memória é (ai, ai...uma que eu amo de paixão) Norah Jones naquele filme sobre coisa alguma chamado My Bluberry Nights, o filme americano do Wong Kar Wai. Ou então, o contrário mesmo: atrizes com carreiras consolidadas tentando soltar a voz, não é mesmo, Scarlett Johansson? Tenta mais, Scarlett, porque falar mal de você é algo que eu não consigo. Beijo na sua boca...depois me liga, ok? A única exceção que eu enxergo nessa categoria é Zooey Deaschanel, com a sua banda-duo She and Him.


Criada em parceria com o músico M Ward (se, por um acaso, você já assistiu o DVD Live in Austin TX, da Norah Jones, vai se lembrar do Ward como o esquisitão que...errr..."toca" violão no final do show), o CD intitulado Volume 2 simplesmente não sai da minha cabeça por mais de uma semana. Mesclando regravações de clássicas (a You Really Got Hold On Me aos suspiros dos dois é coisa linda de morrer, e I Should Have Known Better meio country é divertida) com originais (o single Why Did You Let Me Stay Here te deixa sorridente), o album se destaca entre todos esses trabalhos de "cantrizes" que eu já vi.

O grande diferencial é justamente uma postura que eu percebo na carreira da Zooey: um certo descompromisso saudável. Ciente de suas limitações como atriz, ela nunca fez um filme que exigisse performances incríveis. E o mesmo pode ser dito do lado cantora dela. Disso saiu um album divertido, original e completamente viciante.

Um dos vícios:





terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quase Famosos


"Elas não sabem o que é ser fã, sabe? Amar tanto uma música ou banda que chega a doer", comenta uma das personagens de Quase Famosos, o filme mais autoral do diretor Cameron Crowe (que depois disso só fez coisas contrangedoras do nível Elizabethtown e...irgh!...Vanila Sky. GOD!). E essa frase resume basicamente o tema do longa: amor incondicional pela música.

Mas, não apenas essa paixão, muita das vezes, platônica. Mas, além disso, todos os desdobramentos da indústria músical, desde a sua produção, passando pelo relacionamento dos artistas com seus fãs e chegando até a crítica musical. O texto sarcástico do Crowe (que só ficou nesse filme mesmo, infelizmente) não perdoa ninguém, mas ao mesmo tempo não transforma as personagens em caricaturas constrangedoras.

Como o caso da groupie Penny Lane, interpretada pela Kate Hudson (um dos poucos papéis de substância da carreira). Seria fácil fazer uma groupie completamente inconsequente e interesseira, mas Cameron prefere criar uma tão carismática, que é impossível não sentir apenas simpatia e torcer por ela. O mesmo pode ser dito sobre os integrantes da fictícia Stillwater (que na vida real seria Led Zeppelin, que o próprio Cameron Crowe seguiu em turnê para escrever uma reportagem especial para a Rolling Stone. E isso quando adolescente. Sim, o cara rules!). Ao invés de retratar o esteriótipo sexo-drogas-rock'n roll (dã!), o diretor-roteirista não esqueceu de, também, deixar bem claro que rock stars podem ser mesquinhos, vazios e mimados.

O melhor, entretanto, fica para a mãe do protagonista, Elaine, com uma das interpretações mais engraçadas da Francis McDormand. É dela as falas mais engraçadas do filme ("Rock stars have kidnapped my son"). E o topo da cereja fica com a personagem do Philip Seymour Hoffman, o editor concorrente da Rolling Stone, Lester Bangs. O diálogo ao telefone entre ele e o protaganista, em fase "stuck" da reportagem, é de cortar o coração ("I'm always home, man. I'm uncool"). E, claro, todo o processo de perda da inocência de William Miller, personagem principal, em um ambiente onde nada é inocente.

E é com Lester que Cameron Crowe fala por si. Que música, muito mais do que passatempo, pode ser um estilo de vida que define toda uma visão de mundo. Mas, mesmo assim, o endeusamento que o show business transformou os artistas só mostra como somos influenciados por uma indústria apenas interessada em uma coisa: fama. Mas, pessoas famosas, ao final do filme, são como outras quaisquer: frágeis e cheias de defeitos.

E que músicas devem ser apreciadas pelo o que elas são: aquela coisa amamos tanto que às vezes chega a doer.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Café!

Uma das coisas que mais sinto falta da Nova Zelândia (quase empatado com "conversar com estrangeiros"; a temperatura de 17 graus em média e as paisagens deslumbrantes) é tomar um café ou capuccino todo santo dia, sem exceções.

Não tanto o ato de beber café (mesmo porque você pode fazer isso sem deixar o Brasil), mas o sim o de ir para essas cafeterias que você só encontra em países estrangeiros. São espaços dos mais aconchegantes e charmosos, propícios para bater um papo descontraído com seus amigos ou com aquela sua paquera, ou então ir sozinho mesmo e colocar a leitura em dia.

São lugares dos mais democráticos, também. Nas cafeterias de Auckland, por exemplo, você podia ver todo o tipo de gente: adolescentes em conversas animadas (sim, adolescentes são iguais em QUALQUER lugar do mundo), asiáticos mexendo obsessivamente em seus celulares super modernos, casais discutindo a relação, executivos fechando negócios, pessoas lendo livros e jornais, pessoas com notebooks, pessoas escrevendo, pessoas observando outras pessoas, e até mesmo professores de Inglês dando aulas individuais.


Existem várias cadeias de cafeterias na Nova Zelândia (e, provavelmente o dobro em países da América do Norte). A minha preferida, disparada, era o Starbucks. Não é babação de ovo em cima de companhia americana, não. E nem que o café seja o melhor que existe (porque não é mesmo). Mas, existe algo de diferente nas lojas do Starbucks. Talvez seja o fato de que existe uma seleção de músicas feita especialmente para combinar com o clima intimista do lugar. Ou o fato das poltranas e sofás dos mais confortáveis espalhados por todo o espaço. Ou o melhor: garçons que NUNCA te incomodam. A coisa que você tem certeza é que você sente tão a vontade, mas tão a vontade, que tardes inteiras dentro de um Starbucks é coisa comum.

Sabe aqueles dias em que não existe absolutamente nada a se fazer, e que o tédio é tão grande que quase se materializa? Então, uma tarde fora da sua casa, lendo um livro, escutando música boa, conversando com gente bacana e tomando um café em um Starbucks (ou qualquer um da sua preferência) pode salvar o dia.