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segunda-feira, 17 de maio de 2010

As Horas (ou como estragar o seu carnaval)

Era carnaval de 2002. Sem nada de interessante a fazer em uma cidade que praticamente fica deserta nessa época do ano, resolvi ir ao cinema. Afinal, qual a melhor forma de aproveitar um feriado prolongado do que assistir a filmes em salas escuras? Argumento que seria válido se o filme em questão não fosse As Horas.

Elenco estrelar (Meryl Streep, Nicole Kidman, Ed Harris...), diretor respeitado, não-sei-quantas-mil indicações ao Oscar daquele ano. Expectativas nas alturas, e a intenção era das melhores possíveis. Achava que tudo o que eu precisava naquele carnaval meio-loser era um filme cult-inteligente para animar a folia. Ledo engano, meus caros nove leitores. Acho que foi a primeira (e olhando em retrospecto, a única) vez que saí emocionalmente e fisicamente esgotado de uma sala de cinema. Foi como se uma depressão em forma de vírus tivesse me atacado. A vontade era de nem me levantar daquela cadeira. Com esforço homérico, consegui. Mas, o caminho de volta para casa foi tortuoso. Tudo parecia, de repente, sem cor e vida. Eu ficava pensando na vida daquelas personagens, em como todos ficaram tão infelizes, e o que aconteceu para que tudo desse errado. Desnecessário dizer que As Horas me deixou um pouco traumatizado. Apesar de ter achado, sem sombra de dúvidas, um grande filme, achei melhor revê-lo apenas em caso de extrema necessidade.

Algo que só foi acontecer sete anos mais tarde. Engraçado notar como você percebe de outra forma o mesmo filme em épocas diferentes da sua vida. Vejo que o trauma e todo o drama de ter assistido As Horas em 2002 foi exagero de alguém facilmente impressionável. Só mais tarde, fui compreender melhor que a história de toda aquela gente que se tornou infeliz, aconteceu por tentativa e erro. Gente com todo o potencial do mundo para ser feliz, mas que no meio de tudo, por oportunidades perdidas e desperdiçadas, se perdeu. E o que restou, foi as horas. O tempo, infinito, em que eles têm que lidar com isso. E dessa vez, sem traumas e tristeza instantânea.

Lidei tão bem com a segunda assistida, que até comprei o livro que deu origem ao filme, um dos melhores que li na vida. Já disse antes aqui como eu admiro quem sabe escrever de forma objetiva, mas sem deixar a profundidade de lado. E Michael Cunninghan faz de forma espetacular. Além disso, o livro (como sempre) dá mais luz e entedimento em partes que ficaram dúbias no filme, como a relação entre Clarissa e Richard na juventude (o diálogo final entre os dois é de cortar o coração) e porque o último decide por acabar com sua vida. E partes que soam gratuitas ficam mais esclarecidas no livro, como o beijo lésbico entre Virginia Woolf e sua...errr...irmã.

Experiência livro-filme recomendada. Mas, cautela! Escolha algum feriado diferente. Nunca se sabe o que pode acontecer...

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As Melhores Coisas do Mundo


Me chapou por completo. Não consigo me lembrar da última vez em que eu saí de uma sala de cinema, assim, quase meio zonzo. Em que eu ficava com o filme na cabeça, mesmo muito tempo depois, pensando nas personagens, nas situações, em toda a trajetória. Como se tudo tivesse acontecido com alguém que você conheceu, um amigo, parente, você mesmo. São poucos os filmes que conseguem esse tipo de reação em mim. E, pela primeira vez, é um nacional. Mais orgulho de ser brasileiro pelo cinema do que futebol, praticamente.

A verdade é que eu simplesmente tenho uma queda muito grande (um abismo, quase) por textos que desconstroem esteriótipos. E todo esse processo em As Grandes Coisas foi feito com grande maestria e sensibilidade. Tendo isso em mente, não se deixe enganar pela introdução do filme: Mano e seus amigos, entre cigarros e bebidas, vão a um puteiro no centro de São Paulo. Enquanto os seus amigos aproveitam os vinte minutos a que pagaram, Mano prefere desconversar e disfarçar. Depois de uma confusão no estabelecimento, os garotos fogem pelas ruas, sem conter a dupla excitação de toda a situação.

Mas termina aí o retrato da adolescência como indivíduos apenas interessados em sexo, bebidas e confusão. Pelo menos para o Mano, toda a sua vida, depois disso, vai ter que ser refletida e, muito mais importante, ser adaptada pela dura realidade.

Ele aprende ainda muito cedo, por uma série de situações, que nem sempre a vida vai ser como imaginamos, e o que fazemos dela é o que importa. E, pra um adolescente, ainda imerso em tantas fantasias e expectativas, não tem coisa mais difícil. Ele aprende que se apaixonar por beleza não é a melhor das coisas a se fazer. Que amigos possuem características que nos decepcionam, e por isso mesmo, existem alguns que temos que deixar pra trás. E como consequência, aqueles verdadeiros amigos, que vão ficar ao seu lado em qualquer tipo de situação, são aqueles que menos esperamos. Amizade não se escolhe, acontece. Ele aprende que pessoas podem nos surpreender, e que ajuda vem de gente que jamais imaginaríamos. Oportunidades pra ser feliz existem por aí, mas é necessário enxergá-las. Reparar nas pessoas em volta, pois quando você menos espera, tem alguém especial do seu lado.

Se não fosse sufuciente, As Melhores Coisas do Mundo ainda entra para o seleto grupo de filmes nacionais que retratam o jovem brasileiro, essa parte da população até então negligenciada pela sétima arte brasileira. E mais ainda: é um dos poucos filmes que foge do estigma de sempre retratar a pobreza, bandidagem e minorias raciais, que tanto incomoda o público brasileiro. Isso tudo partindo do básico: histórias simples podem, sim, emocionar as pessoas, mesmo que contadas em Português.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Desejo e Reparação

Das cenas de filmes que te marcam para sempre: é a Segunda Guerra Mundial. Robbie Turner e dois companheiros chegam, finalmente, à costa francesa, depois de dias de uma longa caminhada, sem dormir, famintos, mentalmente e fisicamente esgotados. Tudo o que Robbie quer é embarcar no navio atracado na praia e voltar para casa. Mais especificamente, deseja rever Cecília e terminar aquilo que não conseguiram: a consumação do amor que sentiam um pelo outro.

Os rapazes chegam ao destino e começa o plano-sequência mais sensacional que eu já assisti em uma sala de cinema (coisa linda essas telonas do Cinemark). Por mais de cinco minutos, sem cortes, filmados de uma vez, em uma demonstração incrível de sincronia e muito ensaio, Robbie percebe todo o horror que uma guerra pode causar a toda uma geração. E é até engraçado pensar que essa única cena consegue aquilo que muitos filmes de guerra apenas sugerem: toda a desesperança, o desperdício, o sentimento de impotência e toda a falta de sentido que um conflito desse tipo pode trazer. Isso sem pernas, cabeças e outros membros explodindo na frente das câmeras.

Mas o filme é muito mais do que essa cena. Aliás, é um dos casos raros em que a adaptação para o cinema supera (ou equipara) o livro. Graças à direção segura do Joe Wright (que já nos deu a coisa maravilhosa que é a adaptação mais recente de Orgulho e Preconceito), o elenco mais do que afiado (pra mim, o James McAvoy é um dos melhores dessa nova geração de atores) e o roteiro fiel ao texto do romance. De fato, é um dos poucos filmes derivados de livros que você realmente observa pelas situações e, especialmente pela atuação do elenco, as características de todas as personagens. Sem precisar de narrações em off, ou artíficios desse tipo. Uma aula de adaptação.

Por isso, ler o livro após assistir ao filme é uma experiência mais do que válida. Você percebe como os dois se complementam. E o tema central da obra, a reparação, o tentar recomeçar a vida, o perdão, arrependimento...enfim, tudo isso ganha mais força. O texto do Ian McEwan pode não ser o mais fácil de ser lido (pelo menos se você só estiver acostumado a best-sellers), mas é do tipo de escrita que eu queria ter. McEwan é daqueles escritores que conseguem contar uma história complexa, com indas e vindas, mas ao mesmo tempo manter tudo com uma riqueza de detalhes, e ainda criar personagens psicologicamente ricos e verossímeis. Tudo o que eu queria ser.

Impossível não ficar indiferente a Bryone que, por uma série de situações mal interpretadas, muda o destino da sua irmã e do filho da empregada para sempre. E para melhorar ainda mais a experiência, tanto o filme quanto o livro apresentam desfechos diferentes para Bryone, mas que são coerentes dentro de sua respectiva obra. Eu prefiro a do filme. Se você ficou curioso, passe numa locadora mais próxima, depois em uma livraria, assista ao filme, leia o livro e tire as suas próprias conclusões.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um Olhar do Paraíso

Peter Jackson fez dois impossíveis (se é que tal expressão existe). O primeiro foi fazer quase o impensável: pegar a trilogia Senhor de Anéis e não apenas adaptar para o cinema, mas ainda assim transformar os filmes em marcos da indústria cinematográfica. Tarefa das mais difíceis. Se você já leu algum dos livros, sabe muito bem da complexidade do enredo e da riqueza dos detalhes. E, por incrível que pareça, apesar das mudanças, tudo está ali nos filmes de alguma forma.

Então, quando o diretor neozelandês anunciou que iria adaptar outro livro, The Lovely Bones, as expectativas de todos os mortais cinéfilos foram, obviamente, lá para as alturas (ainda mais pelo fato de que o enredo também flertava com a fantasia). Foi aí que Peter Jackson fez o segundo impossível: fez um filme bem mais ou menos.

Tendo como protagonista uma garota estuprada e assassinada, que narra diretamente do Paraíso como a sua família e amigos lidam com sua morte, o filme é carregado naquilo que o livro justamente quase não tem: fantasia. E o que mais falta ao longa de Jackson é justamente o que faz o livro da americana Alice Sebold ser incrível: uma dramaticidade das mais sinceras.


Juro por Deus, quando eu estava lendo o livro, em algumas partes eu tinha que dar uma parada porque as coisas estavam ficando tristes demais. Sebold descreve os personagens e as situações de forma tão verossímel, sem apelar ao melodrama, que é impossível não se envolver com os relatos do além de Susie Salmon.

Enquanto que no filme é tudo muito mal aproveitado. Personagens não se desenvolvem direito, subtramas se amontoam e a sensação é a de que o filme não tem um propósito definido. O grande problema foi o Céu do Jackson. Obviamente que uma cabeça imaginativa e inquieta como a do diretor não iria se satisfazer com o Céu simples descrito no livro. Mas, era dessa simplicidade que vinha toda a força dramática. Susie Salmon do livro via a sua família e amigos crescendo, vivendo as suas vidas, se apaixonando, mudando, etc. de cima de um Paraíso solitário e sem graça (era um high school americano sem ninguém, além da amiga). Você sentia a inquietação dela por não aceitar a morte e, mais por importante, porque ela queria tanto voltar.

No filme, o Paraíso mais parece um exercício de imaginação de Peter Jackson. E o mais estranho de tudo: era afetado pelos os que os vivos vivam (dããã! Sou gênio com as palavras, fala sério). Mas, claro! As imagens são simplesmente maravilhosas e provam o talento do cara.

Entretanto, para uma experiência mais completa de The Lovely Bones eu mais do que recomendo o livro. E fico na torcida para que o próximo projeto menos ambicioso de Peter Jackson se aproxime mais de Almas Gêmeas do que qualquer outra coisa.
(Que?! Nunca ouviu falar de Almas Gêmeas? Faça um favor a seu futuro cinematográfico e assista nesse mesmo instante esse filme!)


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Brilho Eterno


É a última vez que irão se ver. Na manhã seguinte, não vão se lembrar de mais nada. Vão se cruzar na rua como se fossem estranhos. Não vão ter nenhuma lembrança da história que viveram juntos. É como se nada tivesse acontecido.

Isso porque Clementine apagou Joel da sua memória, e ele, por vingança, resolveu fazer o mesmo. Mas se arrependeram no meio do caminho. Finalmente perceberam que são as memórias felizes, aquelas em menor quantidade mesmo (ênfase no "mesmo") que importam, mesmo que estejam em larga desvantagem quando comparadas com as ruins. São elas que nos definem. São por elas que acordamos todo dia e fazemos tudo. Em direção a elas que dirigimos.

Mas, não existe escapatória. Joel e Clementine tentaram, de todas as formas, fugir do esquecimento inevitável a que se colocaram. Nada funcionou. Tudo o que resta a eles, agora, é essa última memória.

Estão juntos na praia onde, ironia do destino, se viram pela primeira vez. Clementine, consciente de que esse será o último encontro, pergunta o que eles irão fazer. Joel simplesmente responde: "Nós aproveitamos".

É assim que filmes aparentemente sem importância se tornam o seus favoritos. Se você já passou por uma situação pelo menos minimamente parecida, ter um último momento com uma pessoa que você não irá ver mais, toda a cena ganha todo um significado diferente e pessoal.

É como se filmes fossem um espelho de uma realidade paralela. É se enxergar por atitudes de personagens que poderiam muito bem ser você ou alguém conhecido. E é, por essas e outras, que nenhum crítico de cinema vai te convencer de que esse ou aquele filme que você tanto gosta não passa de uma enganação, clichê, versão piorada de outro título, ou qualquer outra coisa insignificante dita por alguém que se separa, completamente e de forma esquiziofrência, de seus sentimentos ao assistir um filme.

A cena:

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Quase Famosos


"Elas não sabem o que é ser fã, sabe? Amar tanto uma música ou banda que chega a doer", comenta uma das personagens de Quase Famosos, o filme mais autoral do diretor Cameron Crowe (que depois disso só fez coisas contrangedoras do nível Elizabethtown e...irgh!...Vanila Sky. GOD!). E essa frase resume basicamente o tema do longa: amor incondicional pela música.

Mas, não apenas essa paixão, muita das vezes, platônica. Mas, além disso, todos os desdobramentos da indústria músical, desde a sua produção, passando pelo relacionamento dos artistas com seus fãs e chegando até a crítica musical. O texto sarcástico do Crowe (que só ficou nesse filme mesmo, infelizmente) não perdoa ninguém, mas ao mesmo tempo não transforma as personagens em caricaturas constrangedoras.

Como o caso da groupie Penny Lane, interpretada pela Kate Hudson (um dos poucos papéis de substância da carreira). Seria fácil fazer uma groupie completamente inconsequente e interesseira, mas Cameron prefere criar uma tão carismática, que é impossível não sentir apenas simpatia e torcer por ela. O mesmo pode ser dito sobre os integrantes da fictícia Stillwater (que na vida real seria Led Zeppelin, que o próprio Cameron Crowe seguiu em turnê para escrever uma reportagem especial para a Rolling Stone. E isso quando adolescente. Sim, o cara rules!). Ao invés de retratar o esteriótipo sexo-drogas-rock'n roll (dã!), o diretor-roteirista não esqueceu de, também, deixar bem claro que rock stars podem ser mesquinhos, vazios e mimados.

O melhor, entretanto, fica para a mãe do protagonista, Elaine, com uma das interpretações mais engraçadas da Francis McDormand. É dela as falas mais engraçadas do filme ("Rock stars have kidnapped my son"). E o topo da cereja fica com a personagem do Philip Seymour Hoffman, o editor concorrente da Rolling Stone, Lester Bangs. O diálogo ao telefone entre ele e o protaganista, em fase "stuck" da reportagem, é de cortar o coração ("I'm always home, man. I'm uncool"). E, claro, todo o processo de perda da inocência de William Miller, personagem principal, em um ambiente onde nada é inocente.

E é com Lester que Cameron Crowe fala por si. Que música, muito mais do que passatempo, pode ser um estilo de vida que define toda uma visão de mundo. Mas, mesmo assim, o endeusamento que o show business transformou os artistas só mostra como somos influenciados por uma indústria apenas interessada em uma coisa: fama. Mas, pessoas famosas, ao final do filme, são como outras quaisquer: frágeis e cheias de defeitos.

E que músicas devem ser apreciadas pelo o que elas são: aquela coisa amamos tanto que às vezes chega a doer.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Avatar


Sabe aquela sensação de que você viu algo pela primeira vez na sua vida? Do tipo quando olha a imensidão do mar quando era pequeno? Ou a textura e cor da neve? Então, foi algo mais ou menos desse tipo que senti ao assistir Avatar em 3D.

Fiquei lembrando os momentos de breve encantamento como esses, ao ficar encarando aquelas samambaias, flechas e plumas que insistiam em sair da tela. Veja bem, eu já perdi a conta de quantas vezes eu já entrei em uma sala de cinema em toda a minha vida. E em todas elas, as imagens projetadas na tela sempre foram as mesmas: o familiar 2D de sempre. É algo quase automático no ritual de se ir ao cinema. Você senta na poltrona, as luzes apagam e o filme começa a se desenrolar na telona. Não existe mais nada a se fazer. É algo relativamente passivo.

Mas não com Avatar. O ritual foi quebrado. A minha supresa foi enorme quando ação se desenrolou nas florestas de Pandora. Pela primeira vez em toda a minha história em salas de cinema, pude experienciar um filme de uma forma diferente: eu via as coisas além da tela. Eu ria e apontava as coisas como se tivesse oito anos de idade. Foi quase constrangedor.

E esse é o basicamente o grande trunfo de Avatar: o de provocar esses sentimentos ao mesmo tempo quando se vai a uma sala de cinema. Aliás, para que o filme seja uma experiência no mínimo relevante, tem que ser assistido em 3D. Sem essa técnica, não é nada além de mais um na grande pilha de filmes de ação/aventura que Hollywood produz em série a cada ano.

Acredito que James Cameron estava tão concentrado em criar essa nova tecnologia, que não deu muita atenção ao enredo. É tudo muito simples, e sem querer parecer esnobe, a trama mais parece saída de um jogo da série Final Fantasy (com direito a um "escolhido" e tudo o mais). O roteiro é de um didatismo (videoblogs pra explicar tudo?) e imediatismo, que você se pergunta o que diabos aconteceu com o cara que escreveu coisas bacanas como Exterminador do Futuro e Titanic. Mas o pior são os personagens rasos, rasos. Tem de tudo: o empresário inescrupuloso e sem sentimentos; o sargento durão e fodão; Michelle Rodriguez fazendo o seu papel de sempre e o herói procurando redenção. Tudo rápido e sem muito desenvolvimento pra que a ação se desenrole logo em Pandora.

Mas, aí você coloca os óculos 3D, e aquelas imagens simplesmente fantásticas te fazem esquecer tudo isso. E Avatar se torna inesquecível.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

500 Dias com Ela


Acho incrível quando um filme consegue essa façanha: transformar personagens em figuras tão reais, que poderia ser qualquer um que você conhecesse. Isso porquê as situações de 500 Dias Com Ela poderiam muito bem ser as suas, a do seu melhor amigo, primo, conhecido do trabalho...enfim, uma história confidenciada a você, depois de algumas bebidas alcoolicas, em uma mesa de bar ou reunião de amigos.

Sim, o filme pode até conter alguns pequenos clichês aqui e ali (a irmã mais nova madura precoce, discursos ensaiados em frente ao espelho), mas o roteiro tem os diálogos mais sinceros e verossímeis que eu tive o prazer de assistir há muito tempo (sim, tô pensando no último deles...aquilo foi foda). Isso sem mencionar na forma até então original de se contar um romance, sem se preocupar com a temporalidade dos fatos que se denserolam na tela (o filme vai e vem durante os tais 500 dias). E ainda conta com a sempre carismática Zooey Deschanel e o achado do filme, Joseph Gordon-Levit (o filme é simplesmente dele). Finalmente, o longa ainda brinca com o próprio cinema (impagáveis as cenas do musical e as paródias dos clássicos europeus) e tem uma das trilhas sonoras mais bacanas da história recente. Isso tudo seria o suficiente para uma conferida, mas tem mais.

Apesar de ser rotulado como "comédia romântica", pelo menos ao meu ver, o filme transcede esse gênero. É algo muito mais próximo do "amadurecer" do que uma simples tentativa de encontrar a sua cara-metade. E esse é o grande diferencial de 500 Dias. Ao invés de focar no romance (como os outros filmes fazem), o longa prefere o foque no longo processo da personagem do Levit até, finalmente, a sua superação. Pensando por esse lado, é quase um filme sobre esperança, por mais brega que isso soe.

Digo isso pois, no curso da vida, sempre encontramos aquelas pessoas que achamos que são as especiais (não apenas em relacionamentos amorosos, mas sim em amizades e todos os tipos de relações). E, quando descobrimos que elas não são tão especiais como pensávamos, sempre temos a tendência de generalizar que existe algo de errado com todas as pessoas e com o mundo.

Mas, 500 Dias Com Ela nos mostra que esse não é o caminho mais saudável. Existe, sim, uma possibilidade de recomeçar, mas só se você tiver maturidade suficiente em enxergar o lado positivo e negativo da situação. O que você aprendeu e o que você descartou. O que você quer levar adiante para a sua vida e o que você quer deixar pra trás.

E mais uma coisa. A vida bem que podia ter os seus momentos musicais, só pra variar um pouco:


domingo, 22 de novembro de 2009

Tarantino Inglório

Não, eu não gosto de Tarantino. "Mas, como assim? Você ama cinema, e não gosta do Quentin Tarantino?" me perguntam, incrédulos, todos os cinéfilos que mantenho contato. "Não", eu respondo. Sabe, acontece. Sou brasileiro e não gosto de futebol, só pra dar um dos inúmeros exemplos de exceção à regra. Obviamente, nesses tempos em que o novo filme com a marca Tarantino, Bastardos Inglórios, está em cartaz nos cinemas, e todos os veículos de comunicação (e todas as pessoas) ovacionando o longa, me sinto, não muito raro, em um daqueles episódios de Além da Imaginação. Eu penso: "Deus, o que há de errado comigo?".



Mas não que não tenha tentado gostar dos produtos Tarantino. Ah, eu tentei...se tentei! Só de Pulp Fiction foram três vezes. Sempre desisti logo depois da famosa dança entre o Travolta e a Uma Turman, quando os personagens começam a dialogar tanto, mas tanto, que mais parece uma peça de teatro.

O que me leva a primeira coisa que eu me dá no saco no Tarantino: os diálogos intermináveis. Nada contra diálogos grandes, mas se eles adicionam alguma coisa à trama como um todo, não existe problema. Mas, nos filmes do Tarantino...Ah! O monólogo sobre o Super Homem em Kill Bill - Volume 2! Ah, as dissertações sobre cinema francês em Bastardos Inglórios! Sim, Tarantino, todo mundo sabe que você ama cinema. E, sim, todo mundo sabe que você é o maior (e mais bem sucedido) geek do indústria do entretenimento. Mas, precisa mesmo escrever vinte páginas de roteiro sobre isso nos seus filmes? Muito mais do que criar uma certa verossimilhança a tudo, esses diálogos me entediam aos montes. Fora de brincadeira, acho que Tarantino tinha que escrever era um livro. Toda essa estrutura narrativa que ele utiliza em Bastardos, por exemplo, com esses capítulos e tudo o mais, parece não caber muito bem em uma linguagem cinematográfica. Não reclamo da falta de ação ou do ritmo dos filmes dele, mas sim de que existe algo que não combina muito bem. Cinema é a ciência de se contar uma história utilizando as imagens. Ao que me parece, Tarantino quer remar contra a maré. Quer utilizar as palavras.

Acho, também, que existe algo de estranho nas personagens que ele cria. Não gosto da forma que ele completamente as descarta a favor da história apenas, e não pelo que provoca no espectador. Nos filmes do Tarantino, as personagens são apenas joguetes do enredo. Tarantino não está preocupado em desenvolvê-las, mas sim em criar reviravoltas, "vai-e-vens" da história (daí veio uma das coisas pela qual ele ficou conhecido: a quebra do paradigma "começo-meio-fim" do enredo). O crítico Pablo Villaça disse algo que eu concordo totalmente: ninguém se emociona assistindo a um filme do Tarantino. Até que nesse Bastardos você começa a sentir algo pelo casal formado pelo Daniel Bruhl e a loira que eu esqueci o nome...até eles morrerem em uma piscina de sangue jorrando.

O que me leva à segunda coisa que eu não gosto: a violência completamente gratuita e descontextualizada. Violência nos filmes do Tarantino é só um gadget visual e nada mais. Parece um fetiche do cidadão. A violência jamais é usada como um auxiliar da história, mas sim como algo separado de tudo, quase uma personagem em si. Um filme do tipo Resgate do Soldado Ryan, por exemplo, ter pernas voando e sangue espirrando na câmera é aceitável. Afinal de contas, é sobre guerra e isso faz parte. Um filme sobre uma mulher que anda por aí com uma espada ninja, decepando membros de pessoas aleatórias que cruzam seu caminho soa um tanto apelativo. Não é a mesma abordagem.

Claro que isso tudo (quase detalhes na visão de alguns) é a minha parte "mimimi". Obviamente, não sou louco o suficiente em não admitir, por exemplo, que Tarantino tira do seu elenco atuações memoráveis (além de de ter um bom gosto para selecioná-los). E que ele também cria umas sequências que dão gosto de assistir, como todo o primeiro "capítulo" de Bastardos, da tensão camuflada, da dúvida criada, culminando na revelação dos refugiados.

Mas, é como dizem: ninguém é de todo ruim. Sempre existe alguma coisa boa até mesmo nas coisas (ou pessoas) que você não gosta. É só encontrar.

O Trailer:

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Orgulho e Preconceito


Vivendo e aprendendo com os filmes. Você assiste um há um certo tempo atrás, mas por algum motivo (talvez uma certa falta de maturidade, ou uma interpretação errada), não consegue compreender a dimensão de tudo. É incrível o que alguns anos a mais podem fazer. De repente, um filme que você jamais imaginou que fosse significar alguma coisa, te ajuda a enxergar a sua vida com olhos mais apurados.

Um desses casos foi Orgulho e Preconceito, a adaptação mais recente do livro, dirigida por Joe Wright. Sim, eu sei que Jane Austen foi mais ou menos a percursora do gênero cinematográfico mais clichêzento de todos os tempos (e, consequentemente, o mais odiado pela esmagadora maioria dos homens): comédia romântica. E, sim, o filme é basicamente sobre um cara rico, bonitão e bem educado que se apaixona por uma moça sem muitos recursos (o sonho de qualquer mulher, obviamente). E que tudo se resolve com um beijo sob o pôr-do-sol (nível de açúcar subindo!), mas tudo é feito de forma tão sútil, sem exageros cinematográficos e de forma tão verossímel que o filme consegue atingir até mesmo o maior dos brutamontes sem coração. E não vou falar na fotografia das mais belas, que dá vontade de dar "print screen" e colocar como papel de parede no seu computador. E nem no elenco dos mais afinados (até mesmo a sem gracinha da Keira Knightley) e da trilha sonora maravilhosa.

Mas, sempre existe aquele componente subjetivo nos personagens que você se identifica na hora. Filmes impecáveis tecnicamente existem aos montes, mas aqueles com enredos e personagens com os quais você compartilha os mesmos pontos de vistas e visão de mundo são poucos. E são esses filmes que, pelo menos pra mim, se tornam os preferidos.

Por isso, quando o Mr. Darcy diz que não tem talento para conversar com pessoas que ele nunca conheceu, impossível não sentir um pouco confortável por não ser o único a agir exatamente da mesma forma. Ou quando a melhor amiga da Elizabeth diz que ela não pode se dar ao luxo de ser romântica porque não existem tantas possibilidades na vida quando se é assim, você se assusta por finalmente perceber que você é exatamente dessa forma. Não é todo dia que você se descobre como romântico assistindo a um filme, e enxerga a vida exatamente como Elizabeth: esperando que tudo aconteça de forma completamente natural, e que todas as etapas da vida sejam respeitadas.

Enrtetanto, é exatamente por esse motivo que continuo gastando grande parte do meu tempo com a sétima arte. É bem melhor (e infinitamente mais barato) ter insights dentro de um cinema do que em um consultório de psicologia. E, como aconteceu em Orgulho e Preconceito, quem sabe na sua vida as coisas não terminem com um final feliz sob a luz do sol?

O trailer:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Saudade de um filme.

Geralmente saudade é um sentimento ligado a pessoas, animais, determinadas épocas da vida ou qualquer outra coisa que evoque essa certa nostalgia gostosa de se lembrar. Entretanto...saudade específica de um filme é algo relativamente novo, até mesmo para mim.

Dia desses, do nada, me deu uma vontade enorme de assistir (pela enésima vez) Encontros e Desencontros. Gosto de reassistir todas as vezes em que a vida parece um tanto sem sentido, quando nada parece ser muito importante e, principalmente, quando perco completamente a fé nas pessoas. Mesmo sendo ficção, a história de duas pessoas totalmente perdidas (tanto no sentido figurado quanto no literal) em um lugar estranho que, sem interesse algum, sem pedir nada em troca, conseguem uma ligação especial, me dá esperança de continuar. O problema é que lembrei que havia dado de presente a minha cópia do filme a uma pessoa especial, com a qual tive uma espécie de mini Lost in Translation. Daí, veio a saudade.

A primeira vez que assisti ao filme eu tinha acabado de chegar a casa dos vinte anos. A identificação foi quase que imediata com a personagem de Scarlett Johansson. O estar "preso", sem saber o que fazer da vida e, mais uma vez, não ter a certeza de ser bom em nada foi uma sensação quase bizarra de que a diretora e roteirista Sofia Coppola tivesse se baseado em mim (a única diferença é que ela teria me transformado em mulher, loira, peituda e gostosona...mas só pra disfarçar). Mas, mesmo assim, foi preciso um certo tempo pra considerar o filme como o meu preferido (pelo menos da minha parte....errr...adulta, se é que posso chamar assim). Quatro anos mais tarde, revendo o filme, é que fui perceber que a parte do "encontrar alguém" é o grande chave do longa-metragem.

Ainda não sei explicar muito bem como acontece, mas ao que me parece quanto mais velho você vai ficando, mais difícil é encontrar alguém que você realmente se identifique, que se sinta confortável, que não queria nada em troca além de sua companhia porque ela é agradável. Talvez a superficialidade é proporcional a idade das pessoas, ou talvez seu nível de exigência aumente junto com seus aniversários. O que importa é que cada vez mais fica difícil as amizades, relacionamentos, companhias...e resta uma inquietação.

Enfim...devaneios onde eles não foram chamados. Mas, ilustram por quê gosto tanto filme a ponto de ter camiseta e tudo o mais (quase um nerd-cult eu).

E você? Tem saudade de algum filme?

O trailer:



quarta-feira, 17 de junho de 2009

No more Exterminador do Futuro!

Daí você, um diretor vindo de um filme trash até o último frame (Piranhas 2), surpreende a todos fazendo um dos filmes de ação mais bacanas de todos os tempos, chamado Exterminador do Futuro. Dois anos depois, supreende mais ainda assumindo a sequência de Aliens - O Oitavo Passageiro, em um dos poucos casos na história do cinema em que o segundo filme é melhor que o original. Depois disso, consolida de vez o seu nome escrevendo e dirigindo o segundo Exterminador do Futuro (Julgamento Final), fazendo com que o filme seja um marco em inovações tecnológicas e influência a todos os filmes do gênero no futuro.

Daí você, com sua mente criativa a mil, quer se dedicar a outros projetos mais interessantes, e acaba deixando a sua criação um pouco de lado. Quem sabe no futuro não retorne a esses personagens? Então, do nada, o que faz algum produtor espertalhão? Mais uma sequência! Mas, obviamente, sem o time criativo original. Afinal de contas, nem é preciso. Primeiro porque as pessoas nem vão notar a diferença. E segundo porque o objetivo não é muito bem continuar a história da melhor forma possível, mas sim ganhar o máximo de dinheiro possível explorando uma marca de sucesso.

Disso, vieram Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (que, honestamente, não vale uma linha de review), e mais recentemente Exterminador do Futuro: A Salvação.
O quarto capítulo até começa promissor com sequências de ação inspiradas do diretor McG (sem os exageros cometidos naquelas bobagens de As Panteras), e com um certo ar apocalíptico contido no segundo filme. Quase havia esperança. Mas, logo depois as coisas começam a se perder em tramas paralelas (como assim um filme sobre o messias John Connor dá mais ênfase na dupla exterminador bonzinho e futuro Connor Pai?) e liberdades criativas das mais constrangedoras (exterminadores-motos e exterminadores.....errr....enguias!)

E tudo bem que queriam fazer "homenagens" aos filmes anteriores, mas nesse último era realmente necessário que a sequência final se passasse em mais uma fábrica com exterminadores derretendo? E tinha que ter o Governator mais uma vez? Não existe filme de Exterminador que não se sustente sem a presença (mesma que digital) de Arnold Schwarzenegger? Dos males o menor, pelo menos conseguiram encaixar de forma decente o enredo original usando o personagem Kyle Reese, o pai do futuro líder Connor (e prestem atenção no ator Anton Yelchin que simplesmente rouba a cena aqui, e roubou em Star Trek...uma grande promessa vem aí).

E pensar que o plano é de fazer desse novo filme mais uma trilogia...deixem os Exterminadores em paz!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Índia

O país do momento é a Índia. Pelo menos aqui no Brasil vai ser o tema de vários almoços de família, conversas em mesas de bares e em salões de beleza por dois produtos culturais atualmente de sucesso: a novela Caminho das Índias e o filme Quem Quer Ser Milionário?

Apesar de não assistir novelas pelo simples fato de que existem coisas bem mais interessantes, posso afirmar que, como qualquer outro exemplo desse tipo de produto, a visão que se tem da Índia provavelmente deve ser esteriotipada e superficial.

O filme, por sua vez, possue a visão oposta extrema. Sem concessões, o diretor Danny Boyle não se refreia a mostrar toda a pobreza de um país em que a desigualdade social é uma das mais gritantes do mundo.Também não se constrange em usar essa pobreza radical como pano de fundo de um enredo complexo, em que um rapaz pobre usa sua experiência de vida para responder perguntas em uma espécie de Show do Milhão indiano. Um tanto apelativo por uns momentos, o filme mais vale como entretenimento da melhor qualidade.

Porém, acredito eu que uma visão melhor sobre a Índia está no documentário Nascido em Bordéis. O filme acompanha a trajetória de um grupo de crianças nascidas em Calcutá, uma cidade formada basicamente pela prostituição (sendo, também, o futuro da grande maioria de quem ali nasce). A fotógrafa americana Zana Briski, impressionada com a curiosidade das crianças pela fotografia, decide dar um workshop com noções básicas. Disso, saiu uma interessante e talentosa visão de mundo através do olhar das crianças.

O mais emocionante e tocante de tudo é perceber que, mesmo em condições extremas de pobreza e sem perspectiva alguma, as crianças têm uma alegria de viver que ultrapassa qualquer dificuldade. A parte em que elas veem o mar pela primeira vez é de encher os olhos, e faz qualquer um questionar seus próprios valores e objetivos. E Zana Briski faz isso tudo sem recorrer a sensacionalismos e melodramas, o que lhe valeu o Oscar de melhor documentário em 2005.

O trailer do documentário:

segunda-feira, 2 de março de 2009

Na Natueza Selvagem


É impossível ficar indiferente ante a figura de Chris McCandless. Nascido em família financeiramente bem estruturada; aluno brilhante; inteligentíssimo; bonito; com futuro promissor depois de anos dedicados a uma brilhante passagem pela universidade, resolve jogar tudo para o ar, doa sua poupança para caridade, pega seu carro velho (e depois o abandona) e some no mundo, sem dar notícas a ninguem, sua família inclusa. É encontrado dois anos depois, morto, em um ônibus abandonado no meio da mata no estado do Alasca. Talvez por ser uma daquelas figuras que, de fato, faz algo que a grande maioria das pessoas apenas deseja fazer, ou talvez por ser um daqueles poucos que querem resgatar aqueles velhos valores há muito esquecidos nessa sociedade um tanto nociva, ou talvez por provocar justamente o sentimento contrário (de que ele não passava de um egoísta, megalomaníaco e tolo), o fato é que McCandless, de uma forma ou de outra, fascinou e intrigou uma legião de pessoas.

Uma delas foi Sean Pean, de forma tal que escreveu e dirigiu Na Natureza Selvagem. Fato que provou, pelo menos pra mim, que além de um grande ator (ganhou o segundo Oscar da carreira recentemente) é ótimo roteirista e diretor de mão cheia. O filme tem todas qualidades que fazem dele excelente: elenco afinado (Emilie Hirsch provou ser mais do que ator teen), trilha sonora exclusiva de Eddie Veder e roteiro enxuto e comedido nos momentos certos.



Mas, é no livro que inspirou o filme é que se tem uma experiência mais profunda na vida e na jornada mortal de MacCandless. Apesar de todas as qualidades listadas acima, o filme não deixa esconder uma visão um tanto determinista de que a família de Chris foi a responsável por todas as suas ações até a decisão de sumir pelos EUA. Não chego a culpar Sean Pean (aliás, quem sou eu pra falar algo do cara? Talvez só pelo fato de ter batido na Madonna, pois não se bate em mulher, mesmo que ela seja a Madonna. Mas, isso é pra outro post), pois não existe como frear a vontade de se buscar uma explicação para o que McCandless fez. Aceito todas as liberdades criativas. Entretanto, pelo livro do jornalista Jon Krakauer a imagem que se tem da família é de uma amorosa e orgulhosa de seu filho de currículo impecável. Nada de brigas homéricas como as mostradas no filme. O que se nota pelo livro é um McCandless cada vez mais recluso em si mesmo, cada vez mais se sentindo inadequado em uma sociedade a qual não queria pertencer. Enfim, de um rapaz com problemas, sim, mas com ele próprio e com ninguém mais.

O livro só se perde um pouco quando o autor resolve compartilhar as suas próprias experiências de isolamento quando também era jovem (não é tão interessante quanto a de Chris), mas os "bonus" que se tem apenas no livro (como o final de partir o coração em que o autor acompanha os pais em uma visita ao ônibus onde o filho foi encontrado) o fazem valer mais a pena do que o filme.

Mais do que recomendado.