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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Jack Johnson - To The Sea

Volta e meia, isso sempre acontece. Você descobre aquela banda/cantor(a), se apaixona pelo som, espera pacientemente pelo novo trabalho e...toma na cara! Isso porque mudaram completamente todo o estilo e tudo o que te resta é se perguntar porque os seus ídolos musicais surtaram por completo. Né, Jack Johnson? NÉ?

Claro que eu entendo todo o argumento de que artistas seguem uma evolução natural com suas respectivas obras, e que o caminho que isso leva nem sempre é o que os fãs esperam (ou pior ainda: querem). Respeito o fato que eles queiram mudar, arriscar outras coisas, pôr idéias novas em prática. Mas...a grande verdade é que eu tenho toda uma história com Jack Johnson. Mais especificamente, um apego meio que emocional com o som de início de carreira do cara.

Foi mais ou menos assim: era quase final de 2003 (ou seria começo de 2004), eu andava pela parte de CD's da Saraiva MegaStore quando reparei que tinha um tal de Jack Jonhson pra ouvir naqueles terminais. Resolvi arriscar...e thank you, Lord! Fui ouvindo um pouquinho de cada música do album On and On e pensar: uau, é esse tipo de som que eu realmente gosto. Comprei o CD ali mesmo, e a partir daí redirecionei o meu gosto musical. Passei a ouvir coisas bem mais calmas, quase acústicas, e cada vez menos coisas que envolviam riffs de guitarras. Foi o começo do fim do rock'n roll pra mim.

Em outras palavras: encontrei Jesus. Praticamente. Um mês depois, emendei com o primeiro, Brushfire Fairytales pra ter mais do som do havaiano. Gostei mais da maturidade do segundo album, das letras mais sarcásticas e algumas até mais politizadas. Um ano depois, sai In Between Dreams e Jack estoura no país com o single Sitting, Waiting and Wishing. O terceiro CD foge um pouco da pegada lual do segundo, e começa a introduzir mais instrumentos (piano aqui, uma guitarra elétrica leve acolá). Em 2008, Johnson lança o Sleep Through the Static. Com sonoridade mais básica do que os anteriores, o cantor começa a colecionar críticas de que todos os CD's soam o mesmo. O que pra mim, não foi defeito algum. O que mais gosto nele é justamente essa previsibilidade. Sei que vou escutar algo que tenho certeza que vou gostar.

Mas, aparentemente, Jack Johnson levou a sério as críticas. E resolveu mudar, colocando logo uma guitarra levemente distorcida em You And Your Heart, que abre o último album, To The Sea. A mudança no som continua notável na No Good With Faces. E você percebe que Jonhson quer realmente ser versátil com When I Look Up, que é quase uma light-rock-trilha-sonora-para-filme-adolescente. Claro que, mesmo sendo esse tipo de cantor diferente, Jack Johnson continua com aquela carecterística que o torna notável: faz músicas irresistíveis, mesmo não sendo o que estamos acostumados. E ainda para descontentes cheios de mimis como eu, ainda tem The Upsetter; Red Wine, Mistakes, Mythology e Anything But The Truth com o Jack que amamos: voz, violão e um som dos mais gostosos de se ouvir.

*Em tempo: Jack Jonhson fez a trilha sonora do desenho George Curioso em um CD intitulado Sing-A-Longs and Lullabies for the Film Curious George, que tem músicas para crianças das mais geniais possíveis. Viciante.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Gotan Project - La Revancha del Tango Live

Daí tinha esse cara francês, que conheceu um suíço, que fez amizade com um argentino. O trio recém formado tinha duas paixões em comum: eram DJ's e nutriam um amor incondicional pelo tango e toda a cultura argentina. Um dia, tiveram uma grande idéia. Resolveram misturar o ritmo inconfundível do tango com as batidas leves da música eletrônica. Disso, surgiu uma das coisas mais bacanas que meus calejados ouvidos entraram em contato nos últimos anos: Gotan Project.

Tive meu primeiro contato com o som multicultuaral dos rapazes em uma visita a um restaurante mexicano aqui em Goi(boi)ânia (sim, temos mais opções de lazer além de ouvir sertanejo). O DVD que eu vou falar daqui a pouco estava rolando nas televisões, e eu tive que simplesmente perguntar ao proprietário qual o nome daquilo. Na mesma madrugada, eu comecei a baixar a discografia loucamente, e foi paixão à primeira ouvida. E correspondia.

Mas, por mistérios insolúveis, eu me esqueci completamente que havia um DVD do Gotan Project, apesar de ter sido esse o meio pelo qual eu descobri o som. Fato que foi compensado há duas semanas. E uma coisa já adianto: além de ser uma experiência auditiva fantástica, o DVD vai além, complementando com um banquete visual de hipnotizar qualquer um.

"Como um show de DJ's pode ser tão bom?", suspeitariam alguns. Respondo: usando da supresa. Obviamente que um show com três DJ's não seria dos mais interessantes, então resolveram inovar. Cobriram a frente do palco com um telão transparente, e nele são projetados filmes e imagens históricas sobre o tango e Argentina. De forma gradual e lenta, o telão vai subindo e você vai vendo melhor aquilo que torna o Gotan Project único: a banda. Músicos talentosíssimos acompanham os DJ's em todas as apresentações. Por si só a banda já valeria o show (coisa que você pode conferir em um dos extras do DVD). Finalmente, o telão desaparece e a apresentação chega ao clímax. Instrumentos musicais se misturam aos eletrônicos, e o ritmo que resulta disso contagia qualquer um que está perto.

Não bastasse isso, existe um extra em que você pode conferir todos os bastidores da gravação do penúltimo CD do Gotan, e ter mais insights de como é o processo criativo. Ainda tem um alguns vídeos de bastidores da turnê ao redor do mundo. E, além disso, o DVD vem com um livretinho contando um pouco da história do projeto e os créditos do show (e vale mencionar que toda a embalagem é lindona?)

Música mais do que recomendada pra se ouvir e assistir em seu DVD.



quinta-feira, 22 de abril de 2010

Tik Tok x Rehab

Eu sei. Falando sobre uma cantora que tem um cifrão no nome artístico. Quase patético. Mas, não pude evitar. Sabe, eu estava assistindo o TVZ, no Multishow, e começou a passar o clipe da música Tik Tok. E, apesar de concordar completamente que a música é divertida (e certeza que anima qualquer festinha que se preze), eu nunca havia prestado muita atenção na...errr...vamos dizer assim...letra.

Basicamente, a moça acorda na banheira (oi?) porque chegou da BUATCHY (desculpa, mas não existe mais "boate" no meu vocabulário depois que eu me deparei com outra variação da palavra), e não tinha mais onde dormir. Não obstante, ela levanta, escova os dentes com whisky (durona a moça, fala sério!), manda a família as favas, sai sem um tostão do bolso pra cair na farra mais uma vez. Tudo, assim, bem forçado e milimetricamente fabricado para passar uma imagem de porra-louca-bêbada-niilista.

Daí fiquei pensando em outra música que fala basicamente sobre bebedeiras, baladas e derivados: Rehab, da Amy Winehouse. E, por mais bizarro que possa parecer, Ke$ha (que inferno de cifrão irritante! Já tentaram escrever o nome dessa mulher? Um porre!) me fez gostar ainda mais da Winehouse.

Repito aqui o meu discurso sobre a Amy: mesmo sendo uma música de bêbada, Rehab é, em primeiro lugar, uma música honesta. Nasceu de uma situação real entre a cantora e o médico que a atendeu. Ao contrário de (ah, de novo...) Ke$ha, Amy não precisa recorrer a situações inventadas e, muito menos ainda, chegar ao nível básico de sobrevivência e higiene pessoal (pode usar pasta de dente mesmo, Ke$ha...todo mundo vai te perdoar pelo deslize no estilo maloqueiro de ser). Mesmo para ser alcoólotra, existe um limite para o mau gosto. Autenticidade é o que mais falta na música pop de hoje, e para mim ficou ainda mais evidente nessa comparação.

E o mais engração de tudo é notar que enquanto Tik Tok, a música falsa sobre bebedeira, só glamouriza esse tipo de vida, Rehab, a música de verdade, faz justamente o contrário. Mesmo que Amy Winehouse desperte o pior dos comentários de seus destratores, não tem um que não confesse, no final, que seja um desperdício uma mulher jogar fora seu talento assim. Talento se sobrepondo ao marketing de videoclips. Quase um paradoxo.

Confira você mesmo:



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Kings of Convenience - Declaration of Dependence

Sim, eles conseguiram mais uma vez! Os noroegueses do Kings of Convenience fizeram mais um álbum cheio de músicas calmas, com melodias suaves e vocais dos mais sutis. Declaration of Dependence tem tudo aquilo que fez a dupla famosa nos festivais pela Europa: base violão-voz aliado a letras sobre o cotidiano e relacionamentos. Saca aquele som que você ouve depois de um cheio de trabalho e stress? Aquele CD que você deve ouvir quando está preso em um engarrafamento? Ou o tipo de som que combina perfeitamente para uma cafeteria ou um lugar mais intimista. Então, Kings of Convenience.

O terceiro CD lembra mais a sonoridade apresentada no primeiro, Quiet Is The New Loud, com a diferença de que o mais recente trabalho da dupla tem um astral bem mais positivo (vide a capa...praia...oi?). Fato evidenciado pelos singles Mrs. Cold (tem como não se deixar contagiar pela música?) e Boat Behind (violino dando o tom alegre aqui). Claro que ainda tem as faixas um pouco mais...digamos assim...deprê, como a sensacional 24-25, que abre o CD (que entrou, de forma instantânea, para o hall de músicas preferidas de todos os tempos). Ainda de quebra, tem as Me In You e Renegades com os refrões dos mais bonitos e melódicos (sério, não sai da cabeça de tão bom que é) de muito tempo!

Alguns argumentam que o som dos Kings é quase o mesmo. Que as músicas praticamente não se diferenciam. Acho uma crítica válida (com a exceção, talvez, do segundo CD, Riot An Empty Street, em que eles diversificaram mais as coisas). Mas, eu também acho que tudo o que é bom deve ser repetido de forma balanceada. O clichê brazuca de que em time bom não se deve mexer vale aqui, também.

Uma amostra:



domingo, 28 de março de 2010

Música do outro lado do mundo


Uma das coisas mais legais de se passar um tempo do outro lado do mundo é ter contato com coisas das mais bacanas que, do contrário, você nunca iria descobrir. Mesmo em um país minúsculo como a Nova Zelândia, com pouco mais de quatro milhões de habitantes, onde a indústria cultural não é das mais movimentadas, você sempre volta com algo a mais na bagagem além das lembrancinhas para amigos e parentes.

No meu caso, duas coisas ficaram na minha memória (e ouvidos). A primeira é como os neozelandeses têm bom gosto musical. Não tinha uma loja que eu entrava que não tinha uma música legal tocando. O mesmo para os pubs e Cafés. Eram os sucessos do momento e muita coisa antiga. E eu nunca vou esquecer da cena dos pedreiros que trabalhavam ao lado da pensão que eu morava ouvindo Guns'n Roses. Isso mesmo, pedreiros trabalhando ao som de Sweet Child O'Mine. Sentiu a diferença?

A segunda coisa que ficou mais no ouvido do que especificamente na memória é a neozelandesa Ladyhawke. Daqueles exemplos típicos de cantoras que sabem fazer música basicamente pop, mas com relevância. Especialmente se você pegar as músicas de trabalho como Magic e My Delirium. Sabe a outra Lady, a Gaga? Então, a Hawke é uma Lady com mais conteúdo, digamos assim (e sem o fetiche bizarro de roupas espalhafatosas, claro).

Agora, o resto do albúm a difere completamente. Músicas como Better Than Sunday, Love Don't Live Here e Dusk Till Dawn tem aquela inconfundível batida eletro pop que fez sucesso nos anos 80. Por isso mesmo são deliciosamente viciantes. Já as Paris is Burning e Manipulating Woman têm letras divertidas e sarcásticas. Tudo feito bem ao estilo da Nova Zelândia: descompromissado, mas com qualidade.

Uma amostra:


terça-feira, 16 de março de 2010

Cat Power - Juke Box

Eu só queria escrever isso:"faça um favor a você mesmo e escute esse CD". Mas eu achei que eu deveria ser um tanto mais persuasivo com os meus...errr...sete leitores. Então, vamos lá:

Cat Power. Não reconhece o nome? Foi o que a cantora americana Chan Marshall usou como pseudônimo durante toda a sua carreira. Filha de pianista, ainda quase adolescente mudou-se para Nova Iorque para tentar a sorte com a música. Conseguiu um contrato em 1995, depois de abrir shows de outra americana. Liz Phair. Desse tempo pra cá, lançou oito albúns (sendo dois deles coletâneas de covers), se envolveu em uma série de problemas de saúde mental e física (já teve depressão profunda e alcoolismo) e até mesmo de aceitação (quase desiste de tudo para virar...babá!).

Pessoalmente, não gosto muito da Chan do começo de carreira. Aliás, demorou até que ela se tornasse uma das minhas cantoras favoritas. O fato é que Cat Power dos Dear Sir, Myra Lee, What Would the Community Think é indie demais para o meu gosto. É basicamente Chan, uma guitarra e sua voz inconfundivelmente rouca susurrando suas dores para o mundo. E só. Já o som do You Are Free é um pouco mais elaborado e menos restrito ao pessoal underground apreciador de músicas estranhas. Mas é The Greatest o grande divisor de águas na carreira da cantora. Com a adição de uma banda excepcional, e uma pegada mais para o soul, Cat Power cai nas graças da crítica e, pela primeira vez, do público. Depois disso, seguiu-se o básico de quem consegue um pouco de fama: fez ponta em um filme (My Blueberry Nights, em que Norah Jones é a protagonista) e músicas em trilhas sonoras (Juno fez toda menina chorar quase no final do filme, com a Sea of Love).

Entretanto, o que Chan Marshall faz de melhor mesmo é covers. De forma tal que quase supera as originais. Prova disso é o The Jukebox, album de regravações lançado em 2008. Vá direto para a segunda faixa e se supreenda com a New York da Chan. Irreconhecível e sensacional. Ramblin (Wo)Man é melhor, mas muito melhor do que Ramblin' Man, dos Allman Brothers. O conjunto voz-piano-bateria-guitarras-distorcidas fazem Metal Heart a melhor do CD. Aretha, Sing One For Me fica irresistível na versão Cat Power. E, de quebra, Chan declara todo o seu amor a Bob Dylan em Song to Bobby.

Obrigatório. Uma amostra da música que não sai da cabeça:


E eu nem vou comentar de supostos shows dela esse ano porque isso é doloroso demais pra pessoas que moram em cidades excluidas geograficamente.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Como transformar um música ridícula.

Em primeiro lugar, tenha talento. Parece um tanto óbvio, mas ao menos para os engravatados das gravadoras que controlam o que as massas vão ouvir (ou não), talento é algo secundário. Peitões, bundas salientes e video clipes com poses sexuais substituem esse detalhe, na visão delirante-esquiziofrênica dos presidentes dos grandes selos.

Em segundo lugar, tenha bom gosto. Antes de se tornar profissional, só escute coisa boa. Aprenda a tocar o seu violão tentando imitar os seus ídolos. Como uma esponja, absorva o que de melhor eles têm a oferecer. Saiba compor como eles. Preste muita atenção no que eles foram fazendo durante suas respectivas carreiras.

Em terceiro lugar. por graça divina e genética, nasça com uma voz meio Cássia Eller com um quê de doçura marisamontiana. Para completar, tenha um visual um tanto androgeno só pra chamar um pouco mais de atenção.

Em quarto lugar, escolha uma música pop até a raiz, com um refrão que simplesmente gruda na cabeça de qualquer mortal acéfalo.

Em quinto lugar, seja Maria Gadú, mostre todo o seu talento e humilhe todo mundo fazendo uma versão completamente inacreditável de...pasmem!...Baba, da Kelly Key:



E disso fica a pergunta: existe mesmo música ruim, ou apenas interpretes ruins?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Mark Ronson

Em meados de 2003, o nome Amy Winehouse já era relativamente conhecido na Inglaterra. Amy, e seu rosto até então sem o seu característico coque gigante, figurava em algumas aparições televisivas e posters espalhados pela cidade (como papai Winehouse diz, todo orgulhoso, nos extras do DVD Live in London). Frank, o primeiro CD da carreira da cantora londrina, atingiu vendagem considerável (quase um milhão de cópias no Reino Unido), com hits como Stronger Than Me e Take The Box.


Mas, foi apenas em 2007 que o nome Amy Winehouse tornou-se algo facilmente reconhecido em qualquer canto do planeta. Impulsionado (ou não) por escândalos, o segundo CD, Back to Black, vendeu mais de dez milhões de cópias; entrou para listas de melhores álbuns do ano (posteriormente, da década); Rehab foi uma das músicas mais executadas de 2007 e Amy virou estrela internacional. Um dos responsáveis pelo upgrade na carreira: Mark Ronson.

Encarregado da produção do segundo CD, Ronson resolveu explorar mais o lado soul das composições da Amy. Colocou mais batidas, adicionou mais som de metais e deu mais ênfase nos vocais. O resultado foi uma sonoridade meio nostálgica. Back to Black soa, às vezes, antigo em algumas canções, enquanto que moderno em outras.

Entretanto, muito mais do que ser o homem por trás de Amy Winehouse (sem piadas de duplo sentido aqui, por obséquio), Mark Ronson é músico de mão cheia. Prova disso é o album Version, que como o título diz, é recheado de versões de sucessos interpretados pelo o que de melhor a indústria muscial britânica pode oferecer.

A verdade é que Version tem tudo o que Back to Black tem de característico: as batidas pesadas e os metais gritando. Pensa em algo do tipo I Told I was Trouble, da Winehouse, que você tem noçao exata do que Ronson fez em Versions. O CD já começa com uma irreconhecível God Put A Smile Upon Your Face, do Coldplay. Segue com uma sólida Lily Allen em Oh My God (e olha que eu acho a Allen tão insossa...). Amy Winehouse, obviamente, não poderia faltar, com uma versão mais rápida de Valerie. Pra completar tudo, ainda tem uma versão inacreditavelmente viciante de Toxic, da Britney Spears, provando que música pop pode ser relevante, sim,dependendo de como se faz.

A faixa de campeã fica, entretanto, pra Just, do Radiohead. Impossível ficar parado:


Ótimo pra animar a sua festinha.




sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lounge Music

Uma das coisas mais estranhas quando você começa a crescer é notar como o seu gosto musical vai mundando junto com o seu corpo. Pelo menos pra mim, os centímetros adicionados ao meu (belo) corpo (mentira...) acompanharam, no mesmo ritmo, uma certa evolução em termos musicais. Sendo um pré-adolescente em meados da década de 1990 (certo, já pode começar a fazer as contas...), já passei pela minha fase Nevermind da vida. Me lembro, especificamente, de como os Samashing Pumpkins me deixaram impressionado com aqueles video clips do álbum The Mellon Collie and the Infinite Sadness, em uma época em que a MTV ainda engatinhava no Brasil. Sim, eu assisti o começo da MTV no Brasil...um idoso, praticamente! Depois disso, passei a ouvir mais essas bandas de rocks mainstream, e até mesmo algumas mais antigas, sempre com a influência de amigos iniciados.

Mas...daí vem a idade e um certo amadurecimento. Você começa a ficar mais independente e infinitamente mais seguro da pessoa que você é. E o mais importante de tudo: você começa a saber exatamente o que você quer e o que gosta. E, obviamente, isso reflete no seu gosto musical.

Resultado: de rock e coisinhas mais pesadas, passei a coisas bem mais leves. Hoje, muito agrada o meu ouvido músicas com pegadas mais para o jazz, soul, folk e um bom MPB. Entretanto, o mais estranho de tudo, foi começar a curtir (e muito) um estilo que eu jamais pensei existir, e menos ainda me viciar: lounge music.

Pra quem não tem idéia do que seja isso, Lounge Music é como se fosse um estilo de música eletrônica, mas com batidas bem leves. É comum, também, que se misturem outros ritmos ao eletrônico (qualquer um que seja, como se pode perceber logo abaixo...só continuar lendo) e tambem vocais. Foi por causa dessas características que veio o termo "música ambiente". É ideal para restaurantes, bares e cafeterias com um ambiente mais intimista. Eu gosto para momentos quando eu quero desestressar a cabeça quente, para concentrar e para trânsito congestionado.

Existem vários grupos e DJ's que fazem esse tipo de som. Um dos meus preferidos é o Thievery Corporation. A dupla de DJ's vinda de Washington D.C ficou mais conhecida por uma música na trilha do filme-cult Garden State. Fãs da bossa nova brasileira, os caras também sempre misturam o ritmo brasileiro com as batidas eletrônicas. Um dos melhores CD's é o Versions que, como o nome diz, trás uma coletânea de versões muito bacanas de várias músicas.



Outro que sou viciado é o Air. Essa dupla francesa se destaca por não abusar muito do eletrônico e priorizar mais intrumentos reais. É comum nas músicas pianos, baixos e também vocais. O Moon Safari é um dos melhores albuns do gênero. Ficaram famosos, também, por terem feito a trilha sonora de Virgens Suicidas, da Sofia Coppola. É bem mais sofisticado do que o resto, talvez pela formação musical dos caras.
Um exemplo:


Outro totalmente fantástico e único é o Gotan Project. O trio (mais uma vez) francês, apaixonado por tango, resolveu misturar o ritmo argentino com batidas eletrônicas. O resultado inusitado da mistura é algo incrívelmente empolgante:



Mais do que recomendados!




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Zooey Deschanel


Geralmente, a categoria de "cantrizes" muito me aborrece. Não consigo conceber de forma apropriada a idéia de que uma mesma pessoa possa ser igualmente boa em duas coisas. Você, minha amiga, não pode ser uma excelente atriz, e de quebra, uma cantora excepcional. A qualidade de uma não vai ser proporcional a outra, muito provavelmente. Colocando de forma bem simplista, é como se um bom advogado resolvesse ser, também, de um dia para outro, contador. Não que talento artístico se crie dessa forma, mas a idéia é mais ou menos a mesma.

Existem vários exemplos de cantoras que resolveram se aventurar na dramaturgia, e que o resultado beirou algo de, no mínimo, estranho. De mais fresco na minha memória é (ai, ai...uma que eu amo de paixão) Norah Jones naquele filme sobre coisa alguma chamado My Bluberry Nights, o filme americano do Wong Kar Wai. Ou então, o contrário mesmo: atrizes com carreiras consolidadas tentando soltar a voz, não é mesmo, Scarlett Johansson? Tenta mais, Scarlett, porque falar mal de você é algo que eu não consigo. Beijo na sua boca...depois me liga, ok? A única exceção que eu enxergo nessa categoria é Zooey Deaschanel, com a sua banda-duo She and Him.


Criada em parceria com o músico M Ward (se, por um acaso, você já assistiu o DVD Live in Austin TX, da Norah Jones, vai se lembrar do Ward como o esquisitão que...errr..."toca" violão no final do show), o CD intitulado Volume 2 simplesmente não sai da minha cabeça por mais de uma semana. Mesclando regravações de clássicas (a You Really Got Hold On Me aos suspiros dos dois é coisa linda de morrer, e I Should Have Known Better meio country é divertida) com originais (o single Why Did You Let Me Stay Here te deixa sorridente), o album se destaca entre todos esses trabalhos de "cantrizes" que eu já vi.

O grande diferencial é justamente uma postura que eu percebo na carreira da Zooey: um certo descompromisso saudável. Ciente de suas limitações como atriz, ela nunca fez um filme que exigisse performances incríveis. E o mesmo pode ser dito do lado cantora dela. Disso saiu um album divertido, original e completamente viciante.

Um dos vícios:





domingo, 17 de janeiro de 2010

Talento é talento

Todas as vezes que alguém começa o discurso de que odeia a Amy Winehouse, que ela não passa de uma drogada, perdida, com essas atitudes auto-destrutivas e que ela deveria seriamente pensar em um corte de cabelo menos ridículo, eu sempre mostro essa música aqui, cantada ao vivo (e sem truques de estúdio):


Isso porque talento ultrapassa qualquer tipo de coisa, inclusive (e o mais importante de tudo) tabloides senacionalistas da imprensa marrom. E que, apesar de não justificar ou simplificar, artistas têm de ser avaliados e julgados por suas obras em primeiro lugar, e não por suas vidas pessoais.

E que artistas de verdade, mesmo, reais (não aqueles artificiais criados por estúdios e clips com pessoas semi nuas) possuem algo que os tornam diferentes e autênticos: talento. Algo um tanto raro de se encontrar hoje em dia.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Heart broken songs

Tá com o coração partido, meu amigo, minha amiga? Anda com uma paixão aguda que não está sendo correspondida? Tentou, tentou e tentou novamente, mas nada deu certo? Aqui vai uma lista pessoal de músicas que podem corresponder a esse estado um tanto moribundo.

Pra começar, eu poderia indicar o segundo CD inteiro da Amy Winehouse, Back to Black. Composto depois de ter o coração partido (oi?) por aquele FDP-sangue-suga-deixa-a-Amy-em-paz-loser do ex marido, Blake Civil, o album é repleto de músicas que poderiam muito bem se encaixar nesse seu estado vegetativo pós-coração partido. Vou escolher a melhor delas, Love is a Losing Game, que é quase um hino sobre esse tipo de sentimento:


Ainda sobre cônjuges que causam sofrimentos ao coração de cantores-compositores, a Can't Get You Off My Mind, do Lenny Krevitz é uma das músicas nesse sentido que mais doem. Só recomendo em casos moderados.
Aqui vai uma versão acústica porque o YouTube não liberou a versão original (que é ainda mais impactante):


Os Beatles não poderiam ficar de fora, obviamente. Ainda em sua fase "ieieie", com suas letras simples mas ainda assim com conteúdo, o quarteto britânico fez uma versão de Anna (Go To Him) das mais sofridas. Válido para as suas decepções amorosas da adolescência:


Agora você, minha amiga, que levou um pé na bunda daquele cara que não te deu o valor merecido, pode agora exteriorizar o seu ódio ouvindo You Ought Know, da Alanis Morissette.


E, se além de tudo isso, minha amiga, o seu ex ainda te trocou por aquela barangona, talvez seja uma ótima idéia ouvir, também, a versão de Fiona Apple para Ugly Girl:


Mas, se além de ódio, você anda triste e não consegue compreender a situação muito bem, a versão de She's Got You, da Cat Power vai cair como uma luva:


Agora, se você, meu amigo ou amiga, não consegue mais conceber a idéia de sua vida sem a sua respectiva cara-metade, você pode experimentar a versão de Everybody's Gotta Learn Sometimes, do Beck. Quero ver alguém resistir ao "I need your lovin' like the sunshine":


E quando as coisas estiverem muito difíceis sem o seu amado do seu lado, as guitarras melódicas de Lie In The Sound, do Trespasser William vão ajudar (ou piorar):


Mas se tudo estiver completamente sem sentido, sua vida totalmente infeliz e não existe nenhuma esperança de que o seu namorado(a), esposo(a) ou amante volte, a única solução é colocar a versão de Nothing Compares To You, do Stereophonics no "repeat" do seu CD player ou Ipod. (O YouTube não libera o áudio dos vídeos com essa versão da música, então vai a original mesmo cantada pela Sinnead O'Connor):


E se você não sai da tríplice "briga-separa-volta" com o seu amado(a), a melhor pedida é Gravity, da Sara Bareilles. Essa Sara pode soar como uma outra Sara, a Mclahlan, mas pelos acordes de piano, e pela voz, dá pra percber que a briga foi muito feia, tornando essa uma das melhores músicas fossa que eu conheço:


A lista poderia ser ad infinitum...mas vou terminar com uma das minhas preferidas, Awake. Se souber tocar violão, pode tentar fazer uma sereneta e ver como as coisas terminam:


sexta-feira, 12 de junho de 2009

Love is a Losing Game

Não...a proposta desse blog (nascido e destinado ao ostracismo e fracasso imediato) nunca foi o de ser pessoal. Entretanto...a semana que se passou e, especialmente, a data de hoje pedem um post especial sobre a minha música favorita (escutada a exaustão) da minha cantora favorita.

Não sei o motivo de gostar tanto dessa música. Acho que é uma mistura entre ser simples, mas sem ser superficial (pra mim, música tem que ser exatamente assim...não suporto música esquisita). Gosto, também, do fato da musicalidade natural da letra. E, claro, da voz belíssima da Amy Winehouse e de como ela canta com completa transparência, sem constrangimento em se mostrar, em expor sentimentos. E é engraçado, pois não é uma música romântica. Pelo contrário, é sobre o desacreditar no amor, sobre a impossibilidade de se concretizar esse amor. Mas, acho que soa romântica aos ouvidos de quem pelo menos simpatiza com uma visão pessimista do amor...ou então, pela esperança de se viver um amor que não dá certo, e disso compartilhar o que a música propõe de forma tão honesta: love is a losing game.

Aliás, é essa honestidade que faz Amy se destacar de todas as outras figuras pop da atualidade. Sua música e atitudes são naturais. Nada ali é ensaiado e gratuito. E pessoas percebem isso. De forma tal que, mesmo com a enxurrada de problemas pessoais e profissionais, é idolatrada, copiada e seguida. E, sim, ela é drogada, bêbada, anti-profissional, mimada, estranha...mas, uma artista excepcional, talentosa e compositora de mão cheia (mas isso é assunto pra outro post).

Existem várias versões de Love is a Losing Game.
Essa aqui é a original do CD Black to Back, que já me fez ficar viciado, completamente:



O YouTube possui vários vídeos acústicos da música. Pessoalmente, acho a apresentação de 2007 da festival de jazz SXSW a melhor:



Mas, é na versão do DVD Live in London que Amy se supera, mostrando que artistas de verdade soam melhor ao vivo do que em estúdios:



Love is a Losing Game

For you I was a flame
Love is a losing game
Five story fire as you came
Love is a losing game

One I wish I'd never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Played out by the band
Love is a losing hand
More than I could stand
Love is a losing hand

Self professed... profound
Till the chips were down
...though you’re a gambling man
Love is a losing hand

Though I battle blind
Love is a fate resigned
Memories mar my mind
Love is a fate resigned

Over futile odds
And laughed at by the gods
And now the final frame
Love is a losing game

sexta-feira, 6 de março de 2009

Jonas Brothers

Eu não tenho nada contra essas sensações adolescentes. Pelo contrário, acho que são necessárias para o longo e penoso caminho até uma certa maturidade intelectual e cultural. Existe algo até mesmo de saudável nelas, mesmo porque ninguém já nasce lendo/ouvindo/assistindo o que existe de melhor no mundo cultural. Fora o fato de que algo estritamente pop é sempre bem vindo para os momentos em que tudo o que você necessita é de algo levemente desprentesioso (a última a que me aventurei foi Crepúsculo, e não me arrependi).


Foi assistindo a última edição do Grammy Awards é que fui me deparar, pela primeira vez, com esses Jonas Brothers. Ídolos de 10 entre 10 garotas de doze anos de idade, obviamente, eu já havia ouvido falar nos rapazes. Mas, se apresentando ao vivo foi a primeira vez, e confesso que não consegui enxergar nada além de muito marketing da Disney.

Particularmente, acho que verdadeiros artistas provam que realmente o são quando estão no palco, se apresentando. É lá que mostram que não são truques de estúdio; que na verdade são superiores a suas versões digitalizadas; que conseguem provocar reações da platéia de forma espontânea e por nada mais além da música, e não por beleza ou por pedidos insistentes para que todos se animem (os tais dos "come on, come on"....ou, na versão brasileira - baiana "tira o pé do chão, tira o pé do chão"). Pelo menos é tudo isso que eu percebo nos DVD's de shows de artistas que eu admiro. Algo completamente ausente na apresentação dos irmãos no Grammy. Me espantou o fato de que a premiação mais famosa da música tenha dado espaço a esse tipo de atração em detrimento a artistas muito mais talentosos.

E não querendo ter ataques de saudosismo ou coisa parecida, mas quando eu era adolescente haviam três irmãos que também tocavam e cantavam, e eram ídolos das garotas: os Hansons. Acho que eles eram bem mais talentosos do que esses Jonas. Mas, também sei que a indústria é cíclica, e que a cada dez anos sempre tentam repetir os ídolos.

E mais uma coisa: eu não queria falar sobre isso, mesmo porque o que as pessoas fazem (ou deixam de fazer) com suas genitálias, bocas e orifícios realmente não me importa. Mas como os irmãos usam um anel simbolizando um voto de castidade, eu não tenho certeza até onde isso funciona como um golpe de marketing (algo como um desvio da atenção da música que eles fazem para outra coisa) ou como, de fato, uma filosofia de vida. Só posso imagunar o tamanho da força de vontade que se deve ter por ter vinte anos e pouco, ser famoso, rico, bonito, com todas as garotas querendo....errrr...te dar, e permanecer casto.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Adele

Estreando esse blog sobre coisa alguma, mas de certa forma sempre abrangendo todas as coisas vou ter que falar sobre a cantora que não sai dos meus ouvidos (declaração quase literal, uma vez que só dá ela no meu Ipod nas longas viagens de ônibus pela minha cidade outrora tranquila): Adele

Quando o segundo CD da Amy Winehouse estourou pelos quatro cantos do mundo, e os chefões das grandes gravadoras perceberam que músicas com um flerte no jazz e soul clássico podem vender como qualquer outra música estritamente pop, eles acabaram por procurar aritstas parecidas com a Sra. Winehouse. Disso, vieram Lily Allen, Duffy e agora Adele. Mas, pelo menos na minha opinião, a última se destaca.

Com apenas 19 anos de idade (idade em que gravou o primeiro CD, intitulado 19), Adele é madura para sua idade, o que se percebe pela tanto pela sua música quando pela voz. Inglesa, já foi coroada pela imprensa britânica com a nova Amy Winehouse. Como eu odeio essas comparações da imprensa, (quando é que as pessoas vão entender que todo ser humano é único e diferente? Não existe isso de procurar o mesmo em outros...mas, enfim, estou divagando) afirmo que Adele tem voz mais bonita, forte e sem os exageros da Amy. Adele só perde n
as letras, pois se mostra pouco e canta sobre sentimentos gerais.

Recentemente, ganhou o Grammy de revelação e a publicidade em torno do prêmio, com toda certeza, vai impulsionar uma bem sucedida carreira internacional. O destaque do primeiro CD vai para "Chasing Pavements", "Right as Rain" e "Melt My Heart to Stone". Mas sugiro a versão Deluxe com um disco extra com mais cinco músicas ao vivo. São nessas em que se percebe todo o potencial vocal da cantora. Simplesmente de arrepiar.